O gabinete de segurança de Israel aprovou, na quinta-feira (7), o plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para ocupar gradualmente toda a Faixa de Gaza. A proposta, embora ainda cercada de incertezas quanto à sua execução prática, prevê o deslocamento forçado de cerca de 900 mil palestinos que vivem na Cidade de Gaza — o equivalente a metade da população do enclave.
Segundo informações da emissora israelense Canal 12, a ocupação ocorrerá em três fases: a retirada da população civil, a entrada das tropas na Cidade de Gaza e, por fim, a tomada integral do território caso o Hamas não retome as negociações. Hoje, Israel já controla aproximadamente 75% da Faixa de Gaza.
A medida, no entanto, enfrenta forte resistência interna. O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, alertou sobre os riscos da operação: “As vidas dos reféns estarão em perigo e nossas tropas estão esgotadas. Há também sérios problemas humanitários e sanitários em Gaza”, declarou ele, segundo o Canal 13.
Além da ofensiva, o plano contempla a possibilidade de Israel anexar permanentemente a chamada “zona tampão”, próxima à cerca que separa Gaza do território israelense. Essa área, conhecida como “perímetro”, é um dos principais pontos de impasse nas negociações com o Hamas. Durante o último cessar-fogo, Israel queria manter o controle de dois quilômetros ao redor da fronteira, enquanto o Hamas aceitava até 800 metros. O governo israelense depois reduziu a proposta para entre 1,2 km e 1,4 km, mas o acordo não avançou.
Internamente, o plano é apoiado por ministros da ala mais radical do governo, como Bezalel Smotrich (Finanças) e Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional), que defendem a reocupação de Gaza e a reconstrução de assentamentos. Já opositores como Yair Lapid, além das famílias dos reféns e o próprio chefe das Forças Armadas, condenam a estratégia. Lapid afirma que a medida “vai impor um custo altíssimo aos israelenses, que não estão dispostos a pagar esse preço”.
Uma pesquisa recente revela que 74% da população israelense deseja o fim do conflito e a libertação imediata de todos os reféns. O dado mais surpreendente é que 60% dos eleitores que votaram em partidos da coalizão de Netanyahu compartilham dessa visão.
Externamente, a pressão também aumenta. A ONU e diversos organismos internacionais alertam para as “consequências catastróficas” de uma ocupação total. Miroslav Jenca, subsecretário-geral da ONU, reforçou essa preocupação no Conselho de Segurança. O governo israelense estuda liberar uma quantidade de ajuda humanitária quatro vezes maior do que o volume atual como tentativa de amenizar as críticas internacionais.
Até mesmo os Estados Unidos, historicamente aliados de Israel, demonstram desconforto. Segundo o site Axios, autoridades norte-americanas disseram que um eventual governo Trump também não apoiaria uma anexação territorial permanente por parte de Israel.
Da Agência Fonte Exclusiva.
