A presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi assediada por um homem enquanto cumprimentava cidadãos nas ruas da Cidade do México. O episódio, registrado em vídeo, provocou indignação nacional e reabriu o debate sobre o assédio às mulheres e as falhas na segurança presidencial.
As imagens mostram o momento em que um homem, aparentemente embriagado, tenta abraçar e beijar a presidente por trás. Sheinbaum se desvencilha rapidamente, vira-se para encará-lo e, em seguida, um assessor se interpõe entre os dois. Com um sorriso tenso, a presidente responde: “Não se preocupe”, enquanto o homem é afastado por seguranças.
A polícia confirmou que o agressor foi detido. Na manhã seguinte, durante sua coletiva diária, Sheinbaum afirmou que registrará uma queixa formal. “Isso é algo que eu vivi como mulher, mas é algo que todas as mulheres do nosso país vivem”, declarou. “Se fazem isso com a presidente, o que acontece com as outras mulheres mexicanas?”
O episódio gerou ampla repercussão. Para a jornalista Catalina Ruiz-Navarro, do coletivo feminista Volcánicas, o caso expõe o machismo estrutural no país. “Mesmo sendo presidente, um homem ainda acredita que pode te tocar. Quando perguntam o que é patriarcado, a resposta é esta”, afirmou.
Além da questão de gênero, o incidente também acendeu alertas sobre a segurança de Sheinbaum. No vídeo, sua equipe de proteção não aparece imediatamente, e a reação levou alguns segundos.
O caso ocorre em meio a um cenário de crescente violência política no México. Na semana passada, o prefeito de Uruapan, Carlos Alberto Manzo Rodríguez, foi assassinado a tiros durante as celebrações do Dia dos Mortos. Desde a posse de Sheinbaum, em outubro, dez prefeitos já foram mortos, além de dezenas de candidatos assassinados durante o ciclo eleitoral de 2024.
Mesmo após o incidente, Sheinbaum afirmou que não pretende reforçar seu esquema de segurança. “Não podemos nos distanciar do povo. Isso seria negar de onde viemos e quem somos”, disse.
A declaração gerou reações. “Espero que ela apresente a queixa e envie uma mensagem clara: nenhum homem tem o direito de tocar uma mulher sem consentimento”, escreveu Alejandra Escobar, diretora da revista Etcétera, no X (antigo Twitter). “Também é preciso repensar o quanto a presidente está exposta.”
O caso reforça o debate sobre o assédio e a vulnerabilidade das mulheres em espaços públicos, inclusive em posições de poder, num país que registra altos índices de violência de gênero.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
