Um tribunal de Bogotá condenou o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) a 12 anos de prisão domiciliar por corrupção passiva de testemunhas e fraude processual. A sentença, anunciada nesta sexta-feira (01/08), foi decretada pela juíza Sandra Heredia, que ordenou a execução imediata da pena, rejeitando pedidos de liberdade até a análise de recursos.
Uribe, de 73 anos, é o primeiro ex-presidente colombiano condenado criminalmente na história do país. Ele nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
“Houve falta de investigação. Para condenar, a política prevaleceu sobre a lei”, declarou Uribe durante a audiência.
A defesa recorrerá da decisão, que agora será analisada pelo Tribunal Superior de Bogotá até outubro de 2025, quando os crimes prescreveriam.
O caso: 13 anos de batalha judicial
O processo começou em 2012, quando o senador Iván Cepeda acusou Uribe de vínculos com o Bloque Metro, grupo paramilitar ligado às AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia). Uribe reagiu processando Cepeda por suposta manipulação de testemunhas, mas a Suprema Corte rejeitou a denúncia e, em 2020, ordenou a prisão domiciliar do ex-presidente por risco de obstrução da justiça.
Após anos de idas e vindas judiciais, a Procuradoria-Geral, sob comando de Luz Adriana Camargo (indicada pelo atual presidente Gustavo Petro), levou Uribe a julgamento.
Reações políticas e polarização
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Centro Democrático (partido de Uribe) convocou protestos para 7 de agosto, afirmando que um “inocente está sendo condenado”.
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Uribe acusou Petro de difamação após o presidente sugerir que ele “revele a verdade” na JEP (Justiça Especial para a Paz).
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Cepeda comemorou a decisão, dizendo que ela pode “desvendar o que Uribe queria encobrir”.
Petro negou envolvimento, declarando:
“Minha estratégia não inclui a condenação de Uribe, inclui a liberdade de Uribe”.
Uribe na lista de ex-presidentes latino-americanos processados
O ex-mandatário se junta a figuras como:
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Lula (Brasil)
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Alberto Fujimori (Peru)
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Cristina Kirchner (Argentina)
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Rafael Correa (Equador)
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Ricardo Martinelli (Panamá)
O caso reflete a tensão política na Colômbia, onde Uribe ainda é uma figura influente e divisiva.
Da Agência Fonte Exclusiva.
