O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que pretende fortalecer a estratégia de dissuasão nuclear do país e abriu a possibilidade de posicionar armamentos franceses em territórios de aliados europeus. O discurso foi feito na base de submarinos de Île Longue, na Bretanha, onde está instalada a principal força nuclear marítima francesa.
Macron afirmou que o cenário internacional atual é marcado por instabilidade e aumento de riscos militares, incluindo a possibilidade de escaladas nucleares. Segundo ele, a França deve adaptar sua postura estratégica e ampliar a cooperação com parceiros do continente.
Pela primeira vez, Paris apresentou formalmente a ideia de deslocar ogivas para outros países europeus, em um modelo semelhante ao utilizado pelos Estados Unidos dentro da OTAN. Atualmente, armamentos norte-americanos estão armazenados em nações como Alemanha, Bélgica, Itália e Turquia sob acordos de compartilhamento.
A proposta se apoia em discussões iniciadas nos últimos anos sobre maior autonomia defensiva da Europa. Após a guerra na Ucrânia e mudanças no cenário político internacional, líderes europeus passaram a considerar alternativas de proteção estratégica dentro do próprio continente.
Autoridades da Alemanha e da Polônia já participaram de conversas preliminares com a França. Entre as hipóteses avaliadas está o uso de aeronaves de aliados para transportar armamentos franceses em caso de necessidade militar.
A França possui cerca de 290 ogivas nucleares, número inferior ao de Estados Unidos e Rússia. A doutrina do país prevê manter apenas o arsenal mínimo considerado suficiente para causar danos decisivos a um possível agressor.
A proposta, no entanto, enfrenta resistências. Partidos de oposição franceses criticaram a ideia por entenderem que o compartilhamento poderia comprometer a soberania nacional. No âmbito internacional, dirigentes da OTAN e da União Europeia alertaram para custos elevados caso a Europa tente substituir completamente a proteção nuclear americana.
Macron ressaltou que a decisão de uso das armas continuaria exclusiva do presidente francês e que qualquer implantação externa não poderá enfraquecer a defesa do território nacional. Mesmo assim, aliados do Leste Europeu pedem detalhes sobre o alcance real das garantias oferecidas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
