A defesa de Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano Nicolás Maduro, pediu à Justiça dos Estados Unidos que ela deixe a unidade prisional onde está detida e passe a cumprir a custódia em uma residência particular em Nova York. Os advogados alegam que a mudança seria necessária diante da deterioração de seu estado de saúde.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (10) pelo jornalista David Alandete, correspondente da rede ABC na Casa Branca.
Segundo os advogados, Cilia teria perdido mais de 11 quilos desde que foi presa. A defesa também afirma que ela perdeu dois dentes, passou a dormir menos de quatro horas por noite e apresentou episódios de dor no peito, arritmia e dificuldade para respirar.
Defesa relata episódio de dor no peito
No pedido apresentado à Justiça, os advogados relatam que Cilia Flores teve, em 29 de julho, um episódio que teria durado cerca de 30 minutos, acompanhado de forte pressão no peito e falta de ar.
Os sintomas desapareceram posteriormente sem que fosse necessária a utilização de medicamentos. A defesa afirma que o quadro poderia ser compatível com um infarto de menor intensidade, mas ressalta que essa possibilidade não foi confirmada por exames médicos.
Os advogados argumentam que Cilia poderia receber acompanhamento e tratamento médico fora da prisão sem representar risco à segurança, desde que fossem adotadas condições determinadas pelo tribunal.
Proposta prevê monitoramento 24 horas
O pedido estabelece uma série de medidas de segurança para que Cilia permaneça em uma residência particular em Nova York.
Entre as condições apresentadas estão a presença permanente de agentes armados, utilização de tornozeleira eletrônica ou outro sistema de localização por GPS, instalação de câmeras de segurança e realização de revistas sem aviso prévio.
A defesa também propôs a retenção do passaporte e o monitoramento das comunicações. As visitas à residência precisariam ser autorizadas previamente, enquanto eventuais saídas só poderiam ocorrer com escolta.
As conversas entre Cilia Flores e seus advogados ficariam excluídas do monitoramento. Segundo a proposta, os custos das medidas de segurança seriam pagos pela própria defesa.
Advogados citam situação de Nicolás Maduro
Outro argumento apresentado no pedido está relacionado à situação de Nicolás Maduro, que também se encontra sob custódia das autoridades norte-americanas.
A defesa afirma que a permanência do presidente venezuelano nos Estados Unidos representaria uma garantia adicional de que Cilia não deixaria o país caso recebesse autorização para cumprir a prisão em casa.
Os advogados também dizem que ela pretende permanecer em território americano para acompanhar Maduro durante o processo judicial.
Julgamento está marcado para 2027
Cilia Flores aguarda julgamento nos Estados Unidos, atualmente previsto para 1º de junho de 2027. Ela e Nicolás Maduro respondem a acusações relacionadas ao narcotráfico apresentadas pelas autoridades americanas, mas ambos contestam as acusações.
Na primeira audiência perante a Justiça dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, os dois se declararam inocentes. Na ocasião, Maduro também afirmou ser um “prisioneiro de guerra” do governo americano.
A defesa de Maduro e Cilia já havia pedido o arquivamento do processo, alegando, entre outros argumentos, imunidade diplomática.
O novo pedido para que Cilia Flores cumpra a custódia em uma residência particular ainda será analisado pela Justiça dos Estados Unidos. Até que haja uma decisão, ela permanece sob custódia das autoridades americanas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
