A China está preparando uma nova missão espacial com foco na defesa planetária e no desenvolvimento de tecnologias capazes de proteger a Terra contra possíveis impactos de asteroides.
O projeto prevê o lançamento de uma nave que deverá atingir um corpo celeste em alta velocidade para tentar alterar sua trajetória ou avaliar a possibilidade de fragmentação.
A missão é liderada por Li Mingtao, cientista-chefe de defesa planetária da Administração Nacional Espacial da China, e tem como alvo o asteroide 2015 XF261. O objeto espacial tem previsão de passar a cerca de 7 milhões de quilômetros da Terra entre 2029 e 2030.
Caso seja realizada com sucesso, a iniciativa poderá representar um avanço em relação à missão DART, da NASA, que em 2022 conseguiu modificar a órbita de um asteroide ao redor de outro corpo celeste ao realizar um impacto controlado.
Estratégia prevê colisão em alta velocidade
O plano chinês prevê que a nave de impacto alcance uma velocidade superior a 9 quilômetros por segundo durante a aproximação do asteroide. O valor corresponde a cerca de 26 vezes a velocidade do som na atmosfera terrestre e supera a velocidade utilizada pela missão DART.
A operação deverá envolver duas naves espaciais. A primeira será responsável pela colisão direta com o asteroide, enquanto a segunda terá a função de acompanhar os efeitos do impacto e coletar informações científicas.
Antes da colisão, uma pequena sonda será liberada para registrar o momento do choque e transmitir dados sobre o comportamento do asteroide após a intervenção.
Análise após o impacto
Após a colisão, a segunda nave continuará próxima ao asteroide para avaliar se houve alteração em sua trajetória e estudar características como composição da superfície, formato do objeto e quantidade de material liberado durante o impacto.
Além do acompanhamento espacial, telescópios e observatórios instalados na Terra também deverão auxiliar no monitoramento do experimento.
Segundo pesquisadores, um dos principais desafios está relacionado às características do asteroide 2015 XF261. O objeto possui baixo brilho e ainda conta com um número limitado de observações desde sua descoberta, em 2015.
Tecnologia autônoma será fundamental
Outro obstáculo será a precisão necessária para atingir o alvo. Como a distância entre a Terra e o espaço provoca atrasos na comunicação, a nave precisará realizar parte da aproximação e do direcionamento de forma autônoma, sem comandos em tempo real enviados pelos cientistas.
Após o impacto, os pesquisadores terão o desafio de medir uma possível alteração na trajetória do asteroide em meio aos fragmentos gerados pela colisão.
Os dados obtidos deverão ajudar a China a avaliar a eficiência da tecnologia e seu potencial uso futuro em sistemas de defesa planetária, uma área que vem recebendo investimentos de diferentes agências espaciais devido ao risco, ainda que remoto, de colisões de grandes objetos com a Terra.
*Da Agência Fonte Exclusiva
