Aposentados argentinos voltaram às ruas de Buenos Aires para denunciar as dificuldades enfrentadas por quem depende dos benefícios previdenciários no país. Em frente ao Congresso Nacional, idosos fizeram fila para receber alimentos durante mais uma manifestação por melhores condições de vida.
O protesto reuniu pensionistas que afirmam não conseguir pagar despesas básicas com o valor recebido mensalmente. Entre as principais dificuldades relatadas estão os gastos com alimentação, medicamentos, aluguel e contas domésticas.
A distribuição de alimentos aconteceu sob o lema “Nada para celebrar, muito para defender”, expressão que resume as reivindicações dos participantes diante da perda do poder de compra e das dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população idosa.
Aposentadoria mínima fica abaixo de 500 mil pesos, mesmo com bônus
Em setembro de 2026, o valor oficial da aposentadoria mínima argentina é de 428.633,20 pesos. Com o bônus extraordinário de 70 mil pesos pago a quem recebe o benefício mínimo, o total chega a 498.633,20 pesos argentinos.
Os valores são estabelecidos pela Administração Nacional da Seguridade Social (Anses), responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões do país.
Apesar dos reajustes, aposentados relatam que o dinheiro continua insuficiente para atender às necessidades do mês. Alguns dizem precisar continuar trabalhando ou vender produtos nas ruas para complementar a renda.
Em reportagem publicada no dia 23 de setembro, o veículo argentino lavaca relatou o caso de Luis Relinque, de 76 anos, que vende meias para conseguir pagar suas despesas, mesmo estando aposentado há 11 anos.
Distribuição de comida acompanha protestos semanais
As manifestações de aposentados acontecem tradicionalmente às quartas-feiras, nas proximidades do Congresso argentino. Os atos reúnem idosos, organizações sociais, sindicatos e apoiadores que cobram melhores aposentadorias e acesso a medicamentos.
A distribuição de comida passou a fazer parte das mobilizações. Na quarta-feira anterior, 16 de setembro, o grupo Camioneros Solidarios preparou refeições e distribuiu mais de mil marmitas a idosos, manifestantes e outras pessoas que procuraram ajuda alimentar.
Também foram distribuídos alimentos por organizações comunitárias, incluindo sacolas com verduras.
A mobilização de 23 de setembro ocorreu poucos dias depois do Dia do Aposentado na Argentina, celebrado em 20 de setembro. A data foi lembrada pelos manifestantes como mais uma oportunidade de chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pela população idosa.
Governo Milei mantém política de reajustes mensais
O governo do presidente Javier Milei atualiza os benefícios previdenciários com base na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor, conforme as regras em vigor. Em setembro, o reajuste foi de 2,11%, seguindo a inflação registrada em julho.
O Executivo também manteve o bônus extraordinário de até 70 mil pesos para beneficiários que se enquadram nos critérios estabelecidos.
As organizações de aposentados, porém, cobram aumentos que permitam acompanhar as despesas reais dos idosos. Entre as reivindicações estão a recomposição dos benefícios, o acesso gratuito a medicamentos e maior proteção social.
Enquanto o debate sobre as aposentadorias continua, as manifestações semanais seguem reunindo idosos que buscam tanto melhores condições de vida quanto ajuda imediata para se alimentar.
*Da Agência Fonte Exclusiva
