A Apple anunciou nesta quinta-feira (2) a remoção de aplicativos da App Store que informavam imigrantes sobre operações do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A medida atendeu a um pedido direto do presidente Donald Trump e foi justificada pela Casa Branca como necessária para preservar a segurança dos agentes.
Entre os aplicativos retirados está o ICEBlock, o mais utilizado para alertar usuários sobre a presença de equipes de imigração em determinados locais. A ferramenta permitia que comunidades organizassem a evacuação de pessoas em risco de detenção.
De acordo com a conselheira jurídica da Casa Branca, Pam Bondi, o Departamento de Justiça acionou a Apple após concluir que os softwares colocavam agentes em risco de ataques. Em entrevista à Fox Business, Bondi afirmou que “aplicativos como o ICEBlock foram concebidos para expor os agentes do ICE a riscos desnecessários, e a violência contra autoridades é uma linha vermelha que não pode ser cruzada”.
A decisão também foi respaldada por recentes incidentes. Em setembro, um tiroteio em uma instalação do ICE no Texas deixou dois imigrantes mortos e outro ferido. Segundo autoridades, o atirador monitorava os agentes por meio de aplicativos semelhantes.

Em comunicado, a Apple declarou que “baseada nas informações recebidas das forças de segurança sobre potenciais riscos, optou por remover o ICEBlock e outros aplicativos similares da App Store”.
O endurecimento das medidas contra a imigração ilegal tem sido uma das marcas do governo Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro. Entretanto, defensores de imigrantes acusam o ICE de prender inclusive pessoas com visto válido, residentes legais e ativistas políticos.
Além da polêmica em torno dos aplicativos, dados oficiais mostram que as deportações de brasileiros atingiram patamar recorde em 2025. Até 1º de outubro, 2.268 cidadãos foram enviados de volta ao Brasil — número 37% superior ao total registrado em todo o ano de 2024 e o maior desde 2020, segundo informações da Polícia Federal e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
