SÃO PAULO – Em uma reação direta ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, indústrias brasileiras dos setores de madeira, calçados e armamentos começaram a decretar férias coletivas e a congelar produção. O motivo é a forte queda nas vendas para o mercado americano, que resultou em um excesso de produtos estocados e contratos cancelados, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo de sexta-feira (22).
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) confirmou que a atividade do setor está praticamente paralisada. “Os contratos estão sendo congelados ou cancelados. As demissões ainda são pontuais, mas podemos ser forçados a tomar decisões mais drásticas em breve”, afirmou ao jornal Paulo Pupo, superintendente da Abimci.
A Millpar, segunda maior empresa do segmento, é um exemplo dos ajustes necessários. A empresa decidiu fechar sua unidade em Foz do Iguaçu (PR) para concentrar toda a produção em Guarapuava (PR). “Estamos tomando decisões difíceis, mas necessárias para manter a sustentabilidade do negócio”, declarou Ettore Giacomet Basile, presidente da empresa.
O setor calçadista também sofre com a retaliação e busca soluções para proteger empregos. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) está em negociações com o governo federal para implementar medidas de emergência. A proposta inclui a redução temporária da jornada de trabalho e dos salários, além da suspensão de contratos por até 90 dias.
“Estamos trabalhando para criar medidas de proteção semelhantes às da pandemia”, disse Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados. O objetivo é evitar demissões em massa enquanto a crise comercial persiste, esperando uma normalização do comércio internacional.
Da Agência Fonte Exclusiva,
