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Brasil tinha quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos em 2025. IBGE aponta jornadas maiores, renda menor por hora e informalidade de 72,1%.

Imagem: Reprodução/ Paulo Pinto/Agência Brasil

Quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil, aponta IBGE

Profissionais cumprem jornadas maiores, recebem menos por hora e enfrentam informalidade de 72,1%, segundo levantamento.

redacao Por redacao
04/09/2026 - 12:43
em Economia
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Ganhar a vida dirigindo, fazendo entregas ou prestando serviços por meio de aplicativos já faz parte da rotina de quase 2 milhões de brasileiros.

Dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram, porém, que a expansão desse modelo de trabalho continua acompanhada por jornadas mais longas e menor proteção previdenciária.

Em 2025, 1,959 milhão de pessoas utilizaram plataformas digitais para trabalhar. O contingente corresponde a 1,9% da população ocupada no setor privado.

Quando são considerados apenas aqueles que tinham os aplicativos como trabalho principal, o número chegou a aproximadamente 1,8 milhão.

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Em 2022, eram cerca de 1,3 milhão. O total subiu para 1,7 milhão em 2024 e voltou a crescer no ano passado. Em três anos, a expansão chegou a 36,8%.

Transporte concentra maior número de trabalhadores

Os aplicativos de transporte de passageiros são os que reúnem a maior parcela dos trabalhadores das plataformas.

Cerca de 1,2 milhão de pessoas utilizaram esse tipo de serviço para trabalhar em 2025. Desse contingente, aproximadamente 1,1 milhão atuava em aplicativos de transporte particular de passageiros.

As plataformas de entrega de alimentos e produtos reuniam 376 mil trabalhadores.

Outros 313 mil utilizavam aplicativos voltados à prestação de serviços gerais ou profissionais.

O levantamento mostra ainda forte predominância masculina. Entre aqueles que tinham as plataformas digitais como ocupação principal, 84,4% eram homens.

A faixa etária entre 25 e 39 anos concentrava 47% desses profissionais.

Falta de emprego também leva trabalhadores aos aplicativos

As razões para começar a trabalhar por plataformas variam conforme a atividade.

Entre motoristas de transporte particular de passageiros e entregadores, a dificuldade para conseguir outro emprego aparece entre os principais motivos para entrar nesse mercado.

A possibilidade de organizar os próprios horários e a expectativa de conseguir uma renda melhor também influenciam a decisão de muitos trabalhadores.

Apesar da flexibilidade frequentemente associada aos aplicativos, os números mostram uma jornada superior à observada entre os demais profissionais do setor privado.

Trabalham mais horas e recebem menos por hora

Em 2025, os trabalhadores por plataformas cumpriam, em média, 44,7 horas semanais.

Entre os demais trabalhadores pesquisados pelo IBGE, a média era de 39,3 horas.

São 5,4 horas adicionais de trabalho por semana.

Mesmo trabalhando mais, a diferença no rendimento mensal praticamente desapareceu.

Os profissionais que utilizavam plataformas recebiam, em média, R$ 3.147 por mês. Entre os demais trabalhadores, o rendimento médio era de R$ 3.148.

A desigualdade fica mais evidente quando o valor é calculado por hora trabalhada.

A remuneração média por hora dos trabalhadores de aplicativos ficou em R$ 16,20. Para os demais profissionais, chegou a R$ 18,40.

Isso significa que o trabalhador de plataforma recebia, em média, cerca de 12% menos por hora.

Informalidade passa de 70%

A baixa proteção trabalhista e previdenciária também aparece entre os principais pontos identificados pela pesquisa.

A taxa de informalidade entre os trabalhadores por plataformas chegou a 72,1% em 2025.

Entre os demais ocupados considerados no levantamento, o percentual era de 42,7%.

A diferença também aparece na contribuição para a Previdência.

Apenas 34% dos trabalhadores de aplicativos tinham cobertura previdenciária, enquanto esse índice chegava a 63% entre os demais profissionais.

A grande maioria dos trabalhadores das plataformas, 86,8%, era classificada como trabalhador por conta própria.

Aplicativos determinam valores para maioria

Apesar de serem classificados majoritariamente como autônomos, muitos profissionais têm pouca participação na definição de aspectos importantes do próprio trabalho.

Entre os motoristas, 80,2% afirmaram que o valor recebido por cada corrida ou serviço era definido integralmente pela plataforma.

Entre os entregadores, o índice chegou a 78,3%.

As empresas responsáveis pelos aplicativos também exercem influência sobre outras condições, como formas de pagamento, prazos e critérios utilizados para organizar a prestação dos serviços.

Os dados ajudam a dimensionar uma das discussões centrais sobre o trabalho por plataformas: até que ponto esses profissionais possuem efetiva autonomia sobre a atividade que exercem.

STF discute vínculo entre trabalhadores e plataformas

O crescimento do trabalho por aplicativos ocorre ao mesmo tempo em que o país discute quais direitos devem ser garantidos aos profissionais do setor.

O Supremo Tribunal Federal analisa processos relacionados à chamada “uberização” e à possibilidade de reconhecimento de vínculo de emprego entre motoristas, entregadores e empresas responsáveis pelas plataformas.

O tema tem repercussão geral, o que significa que a decisão tomada pelo STF deverá orientar casos semelhantes que tramitam na Justiça brasileira.

De um lado, trabalhadores e entidades defendem maior proteção social e trabalhista. Do outro, empresas argumentam que o modelo funciona com profissionais autônomos e que o reconhecimento generalizado de vínculo poderia modificar a estrutura das plataformas.

Enquanto a discussão jurídica continua, os números do IBGE mostram que esse tipo de trabalho ganhou espaço no mercado brasileiro, mas permanece marcado por informalidade elevada, menor cobertura previdenciária e jornadas mais extensas.

O crescimento para quase 2 milhões de trabalhadores evidencia a dimensão econômica das plataformas e também reforça o desafio de definir regras para uma atividade que passou a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Aplicativos#Brasil#DireitosTrabalhistas#Economia#Emprego#Entregadores#IBGE#Ifood#Informalidade#MercadoDeTrabalho#MotoristasDeAplicativo#PnadContínua#Previdencia#renda#Trabalho#TrabalhoPorAplicativo#UBER#Uberização
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