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Estudo estima que Estados Unidos, zona do euro e Reino Unido precisariam investir US$ 23,6 trilhões até 2050 para reduzir a dependência das cadeias produtivas chinesas.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Ocidente precisaria de US$ 23,6 trilhões para reduzir dependência da China

Estudo calcula o custo de reconstruir fábricas, tecnologias e cadeias de suprimentos estratégicas nos Estados Unidos, na zona do euro e no Reino Unido até 2050

redacao Por redacao
14/07/2026 - 10:30
em Economia
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Reduzir de forma ampla a dependência das cadeias produtivas chinesas exigiria dos Estados Unidos, da zona do euro e do Reino Unido um investimento adicional estimado em US$ 23,6 trilhões até 2050.

O valor revela a dimensão financeira e industrial do esforço necessário para transferir ou reproduzir, fora da China, estruturas essenciais ao funcionamento das principais economias ocidentais.

O cálculo foi elaborado pela consultoria EY-Parthenon e considera os recursos necessários para criar novas fábricas, centros de pesquisa, sistemas tecnológicos, softwares, infraestrutura logística e cadeias de abastecimento atualmente ligadas à economia chinesa.

A maior parcela do investimento ficaria sob responsabilidade dos Estados Unidos, com cerca de US$ 13,7 trilhões nos próximos 25 anos. A zona do euro precisaria aplicar aproximadamente US$ 9,1 trilhões, enquanto o Reino Unido teria de mobilizar outros US$ 800 bilhões.

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Somados, os aportes representariam uma média de aproximadamente US$ 940 bilhões por ano. Esses recursos precisariam ser acrescentados aos investimentos já previstos em energia, defesa, infraestrutura, tecnologia e modernização industrial.

Somente nos Estados Unidos, o esforço adicional alcançaria cerca de US$ 550 bilhões anuais. O valor se aproxima dos investimentos realizados pelas grandes empresas norte-americanas de tecnologia em centros de processamento de dados durante 2025.

Na Europa, a reorganização das cadeias produtivas também exigiria uma ampliação expressiva da capacidade financeira dos governos e das empresas. Segundo o estudo, o montante anual necessário se aproximaria do valor equivalente a quase dobrar o orçamento da União Europeia.

O investimento não estaria limitado à construção de unidades industriais. A estratégia exigiria recursos para pesquisa, automação, desenvolvimento de softwares, formação de trabalhadores, geração de energia, transporte, armazenamento e criação de fornecedores alternativos.

A transformação também dependeria de subsídios públicos, incentivos tributários e financiamentos de longo prazo. Sem apoio governamental, parte das novas fábricas teria dificuldades para competir com empresas chinesas que já operam em grande escala e contam com cadeias produtivas altamente integradas.

China domina etapas estratégicas da produção

A posição da China nas cadeias globais foi construída durante décadas. O país ampliou sua capacidade de mineração, refino, processamento de matérias-primas, fabricação de componentes e produção de bens acabados.

Essa estrutura permitiu que companhias chinesas conquistassem espaço decisivo em setores como baterias, veículos elétricos, painéis solares, equipamentos eletrônicos, medicamentos, máquinas industriais e tecnologias utilizadas nas áreas de energia e defesa.

A dependência não está concentrada apenas nos produtos finais. Mesmo quando os minerais são extraídos em outros países, parte considerável do refino e da transformação ocorre em instalações chinesas.

A Agência Internacional de Energia estima que, em 2035, a China continuará fornecendo mais de 60% do lítio e do cobalto refinados no mundo. O país também deverá responder por aproximadamente 80% do grafite destinado a baterias e dos elementos de terras raras utilizados na produção de ímãs.

A concentração é ainda mais elevada em determinados segmentos. A China lidera o refino de 19 dos 20 minerais estratégicos analisados pela agência, com uma participação média de aproximadamente 70% nesses mercados.

Nas terras raras destinadas à fabricação de ímãs, o domínio chinês alcançou cerca de 91% das atividades de separação e refino. O país também concentra aproximadamente 94% da produção mundial de ímãs permanentes, utilizados em automóveis, turbinas eólicas, motores industriais, equipamentos militares e centros de dados.

Essa posição permite que restrições comerciais adotadas por Pequim produzam efeitos rápidos sobre fábricas instaladas na Europa e na América do Norte. A imposição de controles sobre minerais, metais, compostos ou componentes pode interromper linhas de produção e elevar os custos industriais.

As vulnerabilidades tornaram-se mais visíveis após a China ampliar as restrições à exportação de materiais estratégicos. As medidas aumentaram a preocupação de governos e empresas com possíveis interrupções motivadas por disputas comerciais ou conflitos diplomáticos.

Separação completa é considerada improvável

Apesar dos riscos, uma ruptura integral entre as economias ocidentais e a China é considerada pouco provável. Além do elevado custo financeiro, a reconstrução de cadeias estratégicas exigiria muitos anos de planejamento e execução.

Projetos de mineração e refino, por exemplo, podem demorar mais de uma década entre a identificação das reservas, a obtenção das licenças ambientais, a construção das instalações e o início efetivo da produção.

Os países também precisariam ampliar a oferta de energia, modernizar portos, ferrovias e rodovias e formar profissionais para trabalhar em atividades industriais avançadas.

Outro obstáculo é a própria disponibilidade das matérias-primas. Muitas economias não possuem reservas suficientes de minerais estratégicos e precisariam desenvolver acordos com países produtores da América Latina, da África, da Ásia e da Oceania.

Durante esse processo, Pequim ainda poderia utilizar sua posição dominante para restringir a venda de insumos e dificultar a criação de concorrentes. Uma limitação aplicada antes da conclusão das novas fábricas poderia atrasar projetos e elevar os custos da transição.

A substituição dos fornecedores chineses também teria efeitos sobre os preços. A transferência da produção para os Estados Unidos ou para a Europa aumentaria despesas com salários, energia, licenciamento, infraestrutura e cumprimento de normas ambientais.

Uma parte desses custos poderia ser absorvida pelas empresas, mas outra parcela provavelmente seria repassada aos consumidores. Na Europa, o estudo calcula que a reorganização das cadeias estratégicas poderia provocar aumentos de preços entre 1% e 2,5% nos setores afetados.

A pressão adicional dificultaria o trabalho dos bancos centrais para manter a inflação próxima das metas estabelecidas. Governos também precisariam decidir se os custos seriam financiados por impostos, endividamento público, subsídios ou tarifas aplicadas aos produtos importados.

Diversificação é apontada como caminho mais viável

Diante das dificuldades, a tendência não é abandonar completamente o comércio com a China, mas reduzir os riscos nos setores considerados mais sensíveis.

A estratégia, conhecida como “de-risking”, busca diversificar fornecedores e desenvolver alternativas para os pontos em que uma interrupção poderia comprometer rapidamente a economia ou a segurança nacional.

Minerais críticos, semicondutores, baterias, ingredientes farmacêuticos, ímãs permanentes e equipamentos utilizados em defesa e geração de energia estão entre as áreas consideradas prioritárias.

Em vez de reproduzir integralmente todas as cadeias chinesas, governos e empresas podem distribuir a produção entre países aliados, formar estoques estratégicos, ampliar a reciclagem e desenvolver tecnologias que utilizem materiais alternativos.

A cooperação internacional será essencial porque poucas economias reúnem, isoladamente, reservas minerais, capacidade financeira, conhecimento técnico, mão de obra e mercado consumidor suficientes para reconstruir todas as etapas produtivas.

A diversificação poderá envolver acordos comerciais com países produtores, financiamentos para novas unidades de processamento e garantias de compra capazes de oferecer previsibilidade aos investidores.

A automação também deverá ocupar uma posição central. Robôs, inteligência artificial e sistemas avançados de controle poderão elevar a produtividade e compensar parte dos custos mais altos da mão de obra nas economias desenvolvidas.

Mesmo com essas tecnologias, será necessário formar engenheiros, técnicos, programadores, operadores de máquinas e especialistas em mineração, química e logística. A falta de trabalhadores qualificados pode atrasar projetos e limitar a capacidade das novas fábricas.

A urgência é reforçada pelos cálculos da Agência Internacional de Energia sobre uma eventual interrupção dos principais fornecedores. Sem a produção do maior participante de cada mercado, a oferta restante atenderia apenas entre 35% e 40% da demanda projetada para grafite e terras raras em 2035. Para lítio e cobalto, a cobertura seria de aproximadamente 65%.

Os números mostram que uma substituição emergencial não seria suficiente para evitar paralisações. A criação de alternativas precisa ocorrer antes de uma crise, exigindo planejamento coordenado e investimentos mantidos durante vários anos.

O valor de US$ 23,6 trilhões demonstra que alcançar autonomia industrial completa seria financeiramente difícil e, em muitos setores, desnecessário. A alternativa mais provável é concentrar os recursos nas áreas em que a dependência representa maior risco econômico, tecnológico ou militar.

A relação comercial com a China deverá continuar, mas acompanhada por investimentos em produção doméstica, fornecedores adicionais, reciclagem e estoques de segurança.

O desafio para Estados Unidos, Europa e Reino Unido será encontrar um equilíbrio entre segurança econômica, competitividade industrial e preços acessíveis. Ao dimensionar o custo da transformação, o estudo indica que a reorganização das cadeias globais terá efeitos sobre governos, empresas e consumidores.

A principal decisão para as economias ocidentais não será apenas quanto investir, mas quais setores justificam uma substituição mais ampla e quais vínculos com a China continuarão essenciais para o crescimento e para a estabilidade econômica.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #CadeiasDeSuprimentos#China#comérciointernacional#Desindustrialização#EconomiaMundial#EstadosUnidos#Europa#EYParthenon#Geopolítica#Indústria#MineraisCríticos#NotíciasDeEconomia#ReinoUnido#Tecnologia#TerrasRaras
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