Montadoras instaladas no Brasil aprovaram a decisão do governo federal de antecipar o aumento da alíquota de importação para carros elétricos e híbridos desmontados. A nova política tarifária, divulgada nesta quarta-feira (30), também definiu uma cota temporária para entrada desses veículos com tarifa zero.
A medida atende parcialmente às solicitações da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e de empresas como a chinesa BYD, que está em processo de instalação de fábrica no país. A disputa entre fabricantes já atuantes, como Toyota, GM, Volkswagen e Stellantis, e a emergente BYD, foi decisiva para a pressão sobre o governo.
A Anfavea pleiteava que o aumento da tarifa de importação — de 0% para 35% — fosse concluído até julho de 2026. O governo, por sua vez, antecipou o prazo apenas até janeiro de 2027. Apesar de não ter obtido tudo que queria, a associação considerou a decisão aceitável.
“O novo cronograma é o máximo possível sem comprometer os investimentos no setor automotivo nacional”, declarou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Camex também autorizou uma cota adicional de importações com tarifa zero, limitada a US$ 463 milhões por seis meses, para veículos CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados).
A medida também atende parcialmente à BYD, que pedia isenção tarifária total até a conclusão de sua fábrica em Camaçari (BA). A empresa chinesa argumenta que não faz sentido pagar a mesma tarifa para veículos desmontados e veículos já montados.
A disputa entre montadoras ganhou novos capítulos nesta semana, quando as fabricantes tradicionais enviaram uma carta ao presidente Lula alertando para riscos de concorrência desleal. Em resposta, a BYD acusou as rivais de “chantagem” e criticou o fechamento do mercado.
“Aparece uma empresa que baixa preços e torna o carro elétrico acessível à classe média, e os dinossauros entram em pânico”, ironizou a montadora em nota.
Apesar das tensões, a Anfavea afirma estar aberta à chegada de novas marcas, desde que em condições “justas e equilibradas”. Calvet destacou o apoio de parlamentares, governadores, sindicatos e entidades de engenharia à medida.
Desde 2023, veículos elétricos e híbridos podiam ser importados sem impostos, enquanto os veículos a combustão pagavam 35%. A política de transição foi criada para estimular a produção nacional de modelos sustentáveis.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a estratégia teve bons resultados, com fábricas sendo abertas por empresas como GWM (SP) e BYD (BA), que assumiram antigas instalações da Mercedes-Benz e Ford, respectivamente.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
