O governo dos Estados Unidos anunciou US$ 80 milhões em financiamentos para ampliar a indústria madeireira do país, poucos dias depois da entrada em vigor de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros do setor.
Os recursos serão destinados a duas empresas nos estados de Nevada e Oregon. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o objetivo é aumentar a capacidade de processamento, estimular empregos em áreas rurais e melhorar o manejo das florestas.
Do total, US$ 50 milhões serão direcionados à Tahoe Forest Products, em Nevada. O projeto prevê a instalação de secadores, uma nova linha de serragem e uma unidade para acabamento da madeira, permitindo que a empresa forneça produtos prontos para distribuidores e grandes construtoras.
Outros US$ 30 milhões irão para a Clatskanie Scion, no Oregon, que pretende construir uma serraria e instalar novos equipamentos. A expectativa anunciada pelo governo americano é de criação de pelo menos 35 empregos.
O investimento também faz parte de uma política para aumentar a retirada e o aproveitamento de madeira das florestas, reduzindo o material vegetal que pode alimentar incêndios.
Pressão sobre exportadores brasileiros
O anúncio ocorre no mesmo período em que os Estados Unidos passaram a cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre diferentes produtos brasileiros, incluindo itens de madeira. A medida entrou em vigor em 22 de julho e atinge também máquinas agrícolas, etanol e vestuário.
Para a indústria brasileira de madeira processada, a combinação entre a nova tarifa e a expansão da produção americana representa um risco de perda de competitividade.
Estimativas do setor indicam que cerca de 80% da produção brasileira desse segmento é exportada. Aproximadamente metade das vendas externas tem os Estados Unidos como destino, o que torna o mercado americano particularmente relevante para as empresas nacionais.
Com produtos brasileiros mais caros na entrada dos Estados Unidos e maior capacidade de produção interna, exportadores temem redução de pedidos, desaceleração das fábricas e necessidade de buscar novos compradores.
O movimento reforça a estratégia do governo americano de proteger a indústria doméstica enquanto amplia as restrições comerciais contra determinados produtos importados.
*Da Agência Fonte Exclusiva
