A escalada das tensões no Oriente Médio já provoca reflexos diretos na economia europeia e acendeu um sinal de alerta entre autoridades financeiras da União Europeia.
Reunidos em Nicósia, no Chipre, ministros das Finanças dos países do bloco demonstraram preocupação com o avanço de um cenário de estagflação — combinação de inflação elevada com baixo crescimento econômico.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal alemão Welt, líderes econômicos europeus avaliam que os próximos meses poderão ser ainda mais difíceis para a economia do continente diante da alta nos preços da energia e das incertezas geopolíticas.
O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, afirmou que a tendência é de agravamento gradual da situação econômica. Segundo ele, o impacto do conflito já começa a ser sentido em diversos setores estratégicos da economia europeia.
As projeções mais recentes da Comissão Europeia indicam que o crescimento econômico da União Europeia deverá permanecer limitado neste ano, enquanto a inflação seguirá acima das estimativas iniciais.
O cenário aumenta a pressão sobre governos e bancos centrais para conter os efeitos da crise sem comprometer ainda mais a atividade econômica.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, destacou que os preços devem continuar elevados por causa do choque energético provocado pelas tensões internacionais. Apesar disso, ela defendeu cautela na adoção de medidas emergenciais por parte dos governos europeus.
Lagarde alertou que ações econômicas muito amplas podem gerar impactos fiscais negativos sem resolver os problemas estruturais da economia. A orientação do BCE é que os países adotem medidas temporárias e direcionadas, priorizando os grupos mais vulneráveis.
Um levantamento realizado pelo centro de estudos econômicos Bruegel apontou que os 27 países da União Europeia já destinaram bilhões de euros para reduzir os efeitos econômicos da guerra envolvendo o Irã.
Entretanto, grande parte desses recursos foi utilizada em ações generalizadas, como cortes de impostos e subsídios aos combustíveis.
Especialistas avaliam que esse tipo de medida oferece apenas alívio momentâneo à população, sem enfrentar questões consideradas centrais para o futuro econômico europeu, como a dependência energética externa e a necessidade de acelerar investimentos em fontes renováveis.
Outro ponto de preocupação envolve o abastecimento de fertilizantes. Segundo Pierrakakis, possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar não apenas petróleo e gás natural, mas também produtos essenciais para o agronegócio europeu.
Para reduzir a pressão sobre o setor agrícola, Bruxelas anunciou a suspensão temporária das tarifas sobre fertilizantes nitrogenados importados de diversos países, com exceção de Rússia e Belarus.
A decisão busca minimizar os impactos nos custos de produção agrícola e conter novos aumentos nos preços dos alimentos.
Analistas econômicos avaliam que a crise evidencia uma fragilidade histórica da Europa: a forte dependência de matérias-primas e energia provenientes de regiões externas ao continente.
O temor é que a instabilidade internacional prolongada dificulte ainda mais a recuperação econômica europeia nos próximos meses.
*Da Agência Fonte Exclusiva
