O governo dos Estados Unidos realizou audiências públicas em Washington para ouvir representantes do setor produtivo sobre práticas comerciais atribuídas ao Brasil. A consulta faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
As audiências foram marcadas para os dias 6 e 7 de julho e trataram de uma possível resposta dos Estados Unidos a políticas brasileiras consideradas, pelo governo americano, prejudiciais ao comércio dos EUA. A pauta inclui comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
A investigação foi aberta em julho de 2025, por determinação do presidente dos Estados Unidos. Em junho de 2026, o USTR concluiu que determinadas práticas do Brasil seriam “irrazoáveis” ou “discriminatórias” e poderiam restringir ou onerar o comércio norte-americano. A partir dessa avaliação, o governo americano abriu consulta pública antes de definir eventuais medidas, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros.
Empresas, entidades setoriais e representantes brasileiros participaram do processo para defender seus setores e tentar evitar a aplicação de sobretaxas. Entre os argumentos apresentados por segmentos produtivos está o risco de impacto em cadeias de abastecimento dos próprios Estados Unidos, especialmente quando determinados insumos brasileiros não têm oferta doméstica suficiente ou não podem ser substituídos com facilidade por fornecedores de outros países.
O USTR abriu espaço para que interessados apresentassem comentários sobre o alcance das tarifas, a lista de produtos afetados e possíveis exclusões. O órgão americano informou que, ao analisar a inclusão ou retirada de itens da medida, levará em conta fatores como disponibilidade de matérias-primas, fontes alternativas de fornecimento e risco de desorganização econômica.
A apuração também ocorre em meio a discussões sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. Segundo a Reuters, o senador Flávio Bolsonaro participou da audiência e defendeu o sistema, argumentando que o Pix é uma inovação positiva para consumidores e empresas, em um contexto no qual os EUA avaliam impactos sobre companhias como Visa e Mastercard.
Ainda de acordo com a Reuters, grupos comerciais brasileiros, incluindo representantes da indústria e do setor de arroz, também participaram das audiências em Washington. A decisão final do USTR sobre as medidas é esperada até 15 de julho.
Para o Brasil, o caso é sensível porque pode afetar exportadores, cadeias industriais e a relação bilateral com um dos principais parceiros comerciais do país. Para os Estados Unidos, a investigação é apresentada como tentativa de corrigir práticas que, na avaliação do governo americano, prejudicam empresas e trabalhadores norte-americanos.
A expectativa agora é pelo desfecho da consulta pública e pela lista final de produtos que poderão ser atingidos ou excluídos de eventual tarifa. Até lá, o setor produtivo brasileiro tenta demonstrar que medidas unilaterais podem gerar custos também para empresas e consumidores dos Estados Unidos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
