O governo dos Estados Unidos pediu à Índia que redirecione para suas refinarias parte do petróleo russo atualmente armazenado em navios-tanque no sul da Ásia. A proposta, segundo autoridades americanas, tem como objetivo reduzir a pressão sobre o mercado global de energia em meio às tensões geopolíticas recentes.
A iniciativa foi confirmada pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, que afirmou ter conversado diretamente com autoridades indianas. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, também participou das negociações.
De acordo com Wright, há uma grande quantidade de petróleo russo armazenado em navios aguardando descarregamento em refinarias chinesas. A ideia apresentada pelos EUA seria redirecionar esse volume para refinarias indianas, evitando atrasos logísticos e contribuindo para reduzir temores de escassez de petróleo no mercado internacional.
Como parte da estratégia, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou em 5 de março uma autorização temporária de 30 dias que permite transações envolvendo petróleo russo já carregado em embarcações. A medida autoriza negociações até o dia 3 de abril.
Segundo Bessent, a autorização tem caráter limitado e foi desenhada para permitir apenas a comercialização de petróleo que já estava em trânsito marítimo. Dessa forma, a medida não representaria, segundo ele, um benefício financeiro significativo para o governo russo.
Autoridades americanas afirmam que existem centenas de milhões de barris de petróleo sancionados atualmente armazenados em navios ao redor do mundo. A possibilidade de redirecionar parte desse volume para novos compradores poderia ajudar a reduzir tensões no mercado energético.
O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, classificou a medida como uma solução temporária para permitir que grandes volumes de petróleo atualmente parados no mar sejam direcionados rapidamente às refinarias.
Na Índia, refinarias estatais já iniciaram negociações para adquirir parte desse petróleo. Segundo informações divulgadas por agências internacionais, empresas como Indian Oil Corporation, Bharat Petroleum e Hindustan Petroleum discutem a compra de cargas disponíveis para entrega imediata.
Estimativas indicam que refinarias indianas já adquiriram cerca de 20 milhões de barris de petróleo russo disponível no mercado.
Apesar disso, o governo indiano afirmou que suas decisões sobre importação de energia são independentes. Em comunicado oficial, Nova Délhi destacou que o país não depende de autorização externa para adquirir petróleo russo e lembrou que a Rússia continua sendo o principal fornecedor de petróleo bruto da Índia.
A iniciativa americana ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado energético global. O preço do petróleo Brent ultrapassou recentemente a marca de US$ 90 por barril, impulsionado pelas tensões geopolíticas e por preocupações relacionadas ao fornecimento.
Os confrontos próximos ao Estreito de Ormuz também aumentaram a atenção sobre possíveis impactos no fluxo de petróleo mundial. A região é considerada estratégica para o transporte de energia, sendo responsável por uma parcela significativa do comércio global de petróleo.
Dados recentes mostram que os contratos futuros de petróleo nos Estados Unidos registraram alta superior a 20% nas negociações realizadas nos mercados asiáticos, atingindo níveis não vistos desde 2022.
Apesar da volatilidade, autoridades americanas avaliam que a alta nos preços está relacionada principalmente a temores do mercado e não necessariamente a uma escassez imediata de petróleo. A expectativa é que as atuais interrupções no fornecimento sejam temporárias.
*Da Agência Fonte Exclusiva
