Um estudo divulgado nesta terça-feira (5) pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) aponta que o novo pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos pode provocar uma retração de R$ 25,8 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no curto prazo, mesmo com a isenção de tarifas para 694 produtos. As novas taxas entram em vigor já nesta quarta-feira (6).
De acordo com a entidade, as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump podem impactar diretamente a economia brasileira entre um e dois anos, gerando aumento do desemprego e queda na renda das famílias. Os efeitos são esperados principalmente em setores exportadores, com acúmulo de estoques e ociosidade da mão de obra.
No longo prazo, os danos podem ser ainda maiores. Segundo a FIEMG, mesmo que parte da produção seja redirecionada ao mercado interno ou a outros países, a perda de espaço no mercado internacional afetará a capacidade estrutural de crescimento da economia. A projeção aponta que o PIB poderá encolher R$ 110,4 bilhões em até dez anos, com a perda de R$ 11,5 bilhões em renda familiar e eliminação de 618 mil empregos formais e informais.
Para o curto prazo (até dois anos), o estudo estima a perda de R$ 2,74 bilhões em renda das famílias brasileiras e o fechamento de 146 mil postos de trabalho. Os setores industriais mais prejudicados devem ser a siderurgia, a produção de madeira, calçados e máquinas e equipamentos mecânicos. Na agropecuária, destaca-se o impacto sobre a cadeia da carne bovina — que ficou de fora da lista de isenções tarifárias e tem grande peso nas exportações brasileiras para os EUA.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos — valor correspondente a 1,8% do PIB nacional. Deste total, aproximadamente US$ 22 bilhões (ou 55%) correspondem a produtos que não foram incluídos nas exceções tarifárias, como combustíveis minerais, ferro, aço e equipamentos industriais.
Sobre o ‘tarifaço’
Na quarta-feira (30), o presidente Donald Trump assinou uma Ordem Executiva que adiciona uma tarifa de 40% às exportações brasileiras, elevando o total para 50%. Embora 694 produtos tenham sido excluídos da medida — como suco de laranja, celulose e aeronaves — a maioria dos itens com maior valor agregado foi mantida sob a nova alíquota.
A Casa Branca justificou a ação em uma ficha informativa alegando que as políticas recentes do governo brasileiro representam “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. A medida se baseia na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977.
Segundo o governo norte-americano, a imposição da tarifa responde a atos do governo brasileiro que, segundo eles, comprometem os direitos humanos, incluindo supostos casos de perseguição, censura e processos políticos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores — o que, na visão dos EUA, teria enfraquecido o Estado de Direito no Brasil.
Da Agência Fonte Exclusiva.
