O mercado internacional de combustíveis passou a enfrentar uma combinação de problemas que pode reduzir a oferta de diesel e elevar os preços nas próximas semanas.
Ataques contra instalações de refino na Rússia, a tensão envolvendo o Irã e as dificuldades para a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz estão afetando o fluxo de petróleo e derivados.
A preocupação com o diesel é maior porque o combustível está presente em setores essenciais da economia, como transporte de cargas, agricultura, indústria e sistemas de aquecimento. Uma redução na disponibilidade pode, portanto, aumentar os custos de produção e logística em diferentes países.
Empresas do setor e especialistas em energia avaliam que, se as interrupções persistirem, o mercado poderá enfrentar uma pressão adicional sobre os preços.
Preços já sobem em mercados importantes
Os reflexos da instabilidade já aparecem em diferentes regiões. Na Califórnia, nos Estados Unidos, o galão de diesel ultrapassou US$ 8, enquanto antes do agravamento do conflito com o Irã o valor estava próximo de US$ 5.
Na França, o litro chegou a 2,30 euros, cerca de US$ 2,65. Na União Europeia, o boletim semanal da Comissão Europeia apontou preços médios de 1,91 euro por litro para a gasolina de 95 octanas e de 2,01 euros para o diesel.
O impacto potencial vai além do abastecimento dos veículos. Como o diesel é utilizado no transporte de mercadorias, em máquinas agrícolas e em atividades industriais, uma alta prolongada pode aumentar os custos de diversos produtos e serviços.
Russell Hardy, CEO da comercializadora de petróleo Vitol, estimou que o mercado estaria perdendo cerca de 2 milhões de barris por dia provenientes da Rússia e outros 2 milhões de barris diários do Oriente Médio.
Refino russo vira ponto de atenção
Os ataques ucranianos contra instalações russas de produção de combustíveis também passaram a ser acompanhados de perto pelo mercado internacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou as ações contra refinarias russas e pediu ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que interrompesse os ataques. Segundo Trump, a Rússia tem participação importante no fornecimento de diesel ao mercado mundial e as interrupções na produção contribuem para pressionar os preços.
A Rússia está entre os principais fornecedores internacionais de derivados de petróleo. De acordo com o analista Sergey Frolov, antes do agravamento da crise, o país respondia por aproximadamente 10% da oferta mundial de diesel.
Se as restrições às exportações e os problemas nas unidades de refino continuarem por mais tempo, a disponibilidade do combustível poderá permanecer limitada em determinados mercados.
Ormuz aumenta risco para o transporte
A situação no Oriente Médio acrescenta outro elemento de preocupação. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas utilizadas no transporte marítimo de petróleo e derivados e qualquer dificuldade para a passagem de embarcações pode alterar rapidamente os fluxos internacionais de energia.
O analista Igor Yushkov, do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia, afirmou que os derivados de petróleo podem enfrentar dificuldades específicas na região. Segundo ele, o diesel teria menos alternativas de transporte pelo estreito do que o petróleo bruto.
Parte do combustível produzido no Oriente Médio era enviada por essa rota. Com as restrições à navegação, volumes que normalmente seriam destinados a outros mercados podem permanecer concentrados na região do Golfo Pérsico.
A avaliação reforça a preocupação de que uma interrupção prolongada no transporte possa afetar não apenas o preço do petróleo, mas também a disponibilidade de derivados, especialmente o diesel.
Países asiáticos também podem sentir os efeitos
As consequências podem ser particularmente relevantes na Ásia, onde diversos países dependem de petróleo e derivados produzidos no Oriente Médio.
Uma redução nos embarques ou um aumento nos custos de transporte pode encarecer as importações e pressionar economias que dependem dessas fontes de energia para abastecer seus mercados internos.
Ao mesmo tempo, a Rússia vem direcionando parte de suas exportações de energia para compradores asiáticos. A mudança ajuda a preservar alguns fluxos comerciais, mas também modifica as rotas tradicionais do mercado internacional de combustíveis.
Crise depende da duração das restrições
O comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá principalmente da duração dos problemas no refino russo, da evolução da tensão no Oriente Médio e das condições de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Caso as interrupções permaneçam por um período prolongado, a oferta global de diesel poderá continuar pressionada. Como o combustível é fundamental para o transporte e para diferentes atividades produtivas, uma alta persistente também pode aumentar os custos em outras áreas da economia mundial.
*Da Agência Fonte Exclusiva
