A escalada dos conflitos no Oriente Médio pode começar a afetar diretamente o bolso dos consumidores brasileiros nos próximos meses, especialmente no setor da moda. O aumento do petróleo e as dificuldades no transporte marítimo internacional vêm pressionando os custos da indústria têxtil, o que deve refletir no preço das roupas.
Grande parte das peças vendidas atualmente utiliza fibras sintéticas como poliéster e nylon, materiais derivados do petróleo e amplamente usados pela indústria do fast fashion devido ao menor custo e à durabilidade.
Com a valorização do petróleo Brent acima da faixa dos US$ 120, os custos de produção dessas fibras aumentaram significativamente no mercado internacional. Além disso, navios que transportam tecidos e matérias-primas da Ásia passaram a realizar rotas mais longas para evitar áreas afetadas pelos conflitos e restrições marítimas.
As mudanças logísticas aumentaram o tempo de transporte e elevaram gastos com frete e seguros internacionais. Em alguns casos, os atrasos podem chegar a cerca de 20 dias, impactando toda a cadeia de abastecimento da indústria da moda.
Apesar disso, os efeitos ainda não foram percebidos de forma mais intensa nas vitrines brasileiras porque muitas coleções foram produzidas e importadas meses antes da alta recente nos custos. Outro fator que ajuda a suavizar o impacto temporariamente é a cotação do dólar, considerada relativamente estável diante do cenário internacional.
A expectativa do mercado é que os aumentos comecem a aparecer de forma mais clara entre julho e setembro de 2026, especialmente nas coleções de primavera-verão.
Mesmo diante do avanço nos custos de produção, grandes varejistas têm evitado repassar integralmente os reajustes aos consumidores. O receio do setor é perder vendas em um momento de orçamento mais apertado para as famílias brasileiras.
A projeção é que apenas parte do aumento nos custos chegue efetivamente ao preço final das roupas, enquanto uma parcela do impacto seja absorvida pelas próprias empresas para manter a competitividade no varejo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
