A Petrobras revelou nesta quinta-feira (3) que enfrenta dificuldades para preencher vagas em suas operações, conduzidas por empresas terceirizadas. Com um plano de investimentos de mais de R$ 33 bilhões no estado do Rio de Janeiro até 2029, a estatal aposta na qualificação profissional e na recontratação de trabalhadores experientes, muitos dos quais migraram para atividades informais, como motoristas de aplicativo.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a escassez de profissionais reflete o cenário de pleno emprego no país. “Já estão faltando eletricistas, caldeireiros e soldadores”, disse durante a apresentação do plano à imprensa.
O pacote de investimentos prevê a geração de 38 mil empregos diretos e indiretos, além de mais de 100 mil postos temporários em manutenções programadas nas refinarias. Embora o foco dos aportes esteja no Rio de Janeiro, o problema da falta de mão de obra se repete em outros estados, segundo a empresa.
De acordo com a diretora-executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, a estatal já nota o retorno de parte dos trabalhadores que deixaram a construção civil em anos anteriores. “Muita gente foi para o Uber. Estamos tentando trazer esse pessoal de volta para a obra”, afirmou.
Entre os atrativos das vagas formais oferecidas pelas empresas contratadas está a exigência de benefícios como plano de saúde. A estatal também pretende ampliar o Programa Autonomia e Renda, voltado à qualificação de beneficiários do Bolsa Família. A iniciativa conta com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e visa inserir essas pessoas no mercado formal de trabalho.
Segundo William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, os salários nas atividades de manutenção podem chegar a mais de R$ 30 mil, dependendo da função e da qualificação. “Um bom inspetor de solda pode ganhar cerca de R$ 10 mil. Um planejador de obras com domínio de software pode ultrapassar os R$ 25 mil”, explicou.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgados pelo IBGE, apontam que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,2% no trimestre encerrado em maio de 2025, o menor índice para o período desde 2012. Esse cenário pressiona ainda mais setores como o da indústria, que volta a aquecer com os novos investimentos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
