Juros elevados seguem sendo o principal entrave ao acesso ao crédito para a indústria brasileira. De acordo com a “Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025”, divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), oito em cada dez empresas do setor que enfrentaram dificuldades para financiar suas atividades apontam o alto custo dos juros como o maior obstáculo.
O levantamento, realizado com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), destaca os impactos da política monetária restritiva adotada no país. Com a taxa Selic em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006 — e juros reais próximos de 10%, o ambiente de crédito tornou-se mais caro e menos acessível, reduzindo o estímulo a investimentos em expansão da capacidade produtiva e inovação.
Entre as empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo, com vencimento de até cinco anos, 80% citaram os juros elevados como principal dificuldade. Na sequência aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis e máquinas, mencionada por 32% dos empresários, e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades do setor, apontada por 17%.
O cenário se repete no crédito de longo prazo, acima de cinco anos. Nessa modalidade, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros altos, enquanto 31% reclamaram das exigências de garantias e 17% da ausência de linhas compatíveis com projetos de investimento de maior fôlego.
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, o custo elevado do crédito tem efeito direto sobre a competitividade do setor. Para ela, a combinação de juros altos e condições restritivas desestimula investimentos estratégicos, compromete a modernização das empresas e reduz a capacidade de crescimento da indústria brasileira.
A pesquisa também revela retração na demanda por financiamento. Nos seis meses anteriores ao levantamento, 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo, enquanto 49% deixaram de procurar linhas de curto ou médio prazo. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que cai para 17% no crédito de longo prazo.
Entre aquelas que tentaram obter financiamento, os índices de frustração foram expressivos. Quase um terço das empresas não conseguiu acesso ao crédito de longo prazo, enquanto cerca de 20% tiveram pedidos negados no curto ou médio prazo. As médias empresas enfrentaram as maiores dificuldades, tanto na contratação quanto na renovação de financiamentos.
Além da dificuldade de acesso, as condições do crédito também pioraram. Entre as empresas que conseguiram renovar financiamentos de curto ou médio prazo, 35% afirmaram que as condições ficaram mais desfavoráveis, considerando juros, prazos e garantias exigidas. No crédito de longo prazo, 33% relataram piora, enquanto apenas uma pequena parcela percebeu alguma melhora.
A sondagem ouviu 1.789 empresas industriais entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025, sendo 713 de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte, e reforça o alerta do setor sobre os efeitos da política monetária no desempenho da indústria e da economia como um todo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
