O endividamento e a dificuldade de acesso ao crédito ainda são obstáculos para bares, restaurantes e pequenos comércios no Brasil. Segundo dados citados pela Ambev, cerca de 35% dos estabelecimentos do setor estão endividados atualmente.
Além das dívidas, outro desafio é a baixa procura por financiamento. Muitos pequenos empreendedores deixam de buscar crédito por considerar o processo complexo, burocrático ou distante da realidade do negócio.
Em entrevista à CNN Money, a vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev, Carla Crippa, afirmou que o problema envolve não apenas a oferta de dinheiro, mas também a necessidade de criar ferramentas mais simples e adaptadas ao perfil dos pequenos empresários.
Dados do Sebrae citados pela executiva indicam que 85% dos pequenos empreendedores não buscaram novo crédito nos últimos seis meses. Entre os que tentaram, mais da metade não conseguiu acesso ao recurso.
O cenário chama atenção porque bares e restaurantes têm peso relevante na economia brasileira. O setor movimenta mais de R$ 400 bilhões por ano e gera quase 5 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo os dados apresentados pela empresa.
Diante desse contexto, a Ambev anunciou a ampliação do programa Bora, iniciativa voltada à geração de renda e inclusão produtiva. A previsão é mobilizar mais de R$ 100 milhões ao longo de 2026 em soluções financeiras, capacitação e renegociação de dívidas.
A expectativa da companhia é alcançar até 250 mil bares, restaurantes e pequenos comércios parceiros. A iniciativa inclui ações de educação financeira, apoio à gestão dos negócios e alternativas para renegociação de débitos.
Segundo a Ambev, empreendedores que participaram de mentorias do programa registraram aumento médio de 16% no faturamento. Entre aqueles que tiveram acesso a mentorias e crédito, o crescimento informado foi de 25%.
A empresa também pretende preparar os estabelecimentos para períodos de maior movimento, como a Copa do Mundo. Levantamento da Abrasel citado pela companhia aponta que 80% dos bares que pretendem transmitir os jogos esperam aumento no faturamento durante o torneio.
Apesar da expectativa positiva para datas sazonais, o cenário do setor ainda exige atenção. A combinação entre endividamento, dificuldade de crédito e baixa educação financeira pode limitar a capacidade de investimento dos pequenos negócios.
Especialistas do setor apontam que o acesso a crédito precisa vir acompanhado de planejamento, orientação e condições compatíveis com a realidade dos empreendedores. Sem isso, o financiamento pode se transformar em mais uma fonte de endividamento.
A discussão reforça a importância de soluções voltadas aos pequenos estabelecimentos, especialmente em um setor que movimenta a economia local, gera empregos e depende diretamente do consumo presencial.
*Da Agência Fonte Exclusiva
