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Brasil produziu 814 mil toneladas de chocolate em 2025 e exportou para 168 países. Setor aposta em inovação, cacau nacional e nova lei de rotulagem.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Brasil amplia produção de chocolate e aposta em inovação para crescer no mercado

No Dia Mundial do Chocolate, setor destaca aumento da fabricação, avanço nas exportações, novas regras de rotulagem e valorização do cacau brasileiro.

redacao Por redacao
07/07/2026 - 10:10
em Economia
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Do campo ao consumidor final, o chocolate movimenta uma das cadeias produtivas mais completas da economia brasileira.

No Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta terça-feira, 7 de julho, o setor chama atenção não apenas pelo apelo afetivo do produto, mas também pelos números de produção, geração de empregos, exportações e novas regras que prometem dar mais transparência ao mercado.

O Brasil ocupa uma posição relevante nesse segmento porque reúne praticamente todas as etapas da cadeia. O país cultiva cacau, processa a amêndoa, transforma a matéria-prima em derivados, fabrica chocolates, distribui os produtos e abastece consumidores em diferentes regiões.

Essa estrutura faz do chocolate brasileiro um item presente tanto nos grandes centros urbanos quanto em pequenos municípios.

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A produção nacional segue em expansão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas, a Abicab, o Brasil produziu 814 mil toneladas de chocolate em 2025. O volume representa avanço em relação a 2024, quando foram fabricadas 806 mil toneladas.

O desempenho reforça a avaliação do setor de que o chocolate deixou de ser um produto concentrado apenas em datas comemorativas, como a Páscoa.

Embora o período continue sendo o mais importante para a indústria, o consumo se espalhou pelo calendário e passou a fazer parte da rotina dos brasileiros.

O consumo per capita no Brasil é de quase 4 quilos por ano. Apesar da presença forte do produto no cotidiano, o índice ainda fica abaixo de mercados mais maduros, como países da Europa e da América do Norte, onde o consumo anual por pessoa pode chegar a 9 ou 10 quilos. Para a indústria, essa diferença mostra que ainda há espaço para crescimento no mercado interno.

A maior parte da produção brasileira é direcionada ao próprio país. Chocolates chegam ao consumidor por supermercados, mercearias, lojas especializadas, farmácias, pequenos comércios, atacarejos e plataformas digitais.

Mesmo com os desafios logísticos de um território amplo, o setor mantém uma rede de distribuição capaz de alcançar diferentes perfis de público.

A diversificação dos produtos também impulsiona o mercado. Chocolates finos, versões com maior teor de cacau, embalagens presenteáveis, barras recheadas, tabletes menores e combinações com frutas, castanhas, biscoitos, amendoim e pistache passaram a ganhar mais espaço nas prateleiras.

Embora o chocolate ao leite siga entre as opções preferidas dos consumidores, produtos com maior percentual de cacau vêm conquistando público. Esse movimento acompanha a busca por sabores mais intensos, ingredientes de origem identificada e itens de maior valor agregado.

A Páscoa continua sendo a principal vitrine da indústria. Em 2026, o período registrou crescimento na geração de vagas temporárias. De acordo com a Abicab, o número de postos sazonais passou de 9.946 para 14.558. Parte desses trabalhadores costuma ser efetivada após o fim da temporada.

A data também foi marcada por forte ritmo de lançamentos. Neste ano, a indústria apresentou 134 novos produtos, número superior aos 94 lançamentos registrados em 2025. A estratégia busca atender consumidores que procuram variedade, formatos diferentes e experiências de consumo mais personalizadas.

O setor também tem peso no comércio exterior. Dados divulgados com base no ComexStat mostram que as exportações brasileiras de chocolate chegaram a 37,8 mil toneladas em 2025, com receita de US$ 210,2 milhões. Os produtos foram enviados a cerca de 168 países.

Entre os principais mercados estão países da América Latina, como Argentina, Chile e Paraguai. O setor também observa oportunidades em regiões como Europa e países árabes, onde há demanda por produtos diferenciados e chocolates com maior valor agregado.

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil exportou 7,7 mil toneladas de chocolate, equivalentes a US$ 47 milhões. No mesmo período, as importações somaram 4,7 mil toneladas, com valor de US$ 57 milhões. Em volume, o saldo foi positivo para o país.

O cacau, base de toda a cadeia, também tem papel importante na balança comercial. Em 2025, as exportações brasileiras do produto somaram US$ 603,1 milhões, com 53,5 mil toneladas. As importações chegaram a 93,7 mil toneladas, totalizando US$ 699,2 milhões.

A oscilação nos preços do cacau, porém, segue como desafio para produtores. No sul da Bahia, uma das regiões mais tradicionais da cacauicultura brasileira, agricultores familiares acompanham a variação do mercado e buscam alternativas para agregar valor à produção.

A experiência da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências, a Coopfesba, mostra esse movimento. A cooperativa criou, em 2010, a Bahia Cacau, considerada a primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil.

Localizada em Ibicaraí, no sul da Bahia, a unidade produz chocolates com diferentes teores de massa de cacau, incluindo opções entre 35% e 70%. A fábrica também trabalha com sabores regionais, como cupuaçu e cacau, reforçando a identidade brasileira dos produtos.

A iniciativa permite que agricultores familiares avancem além da venda da matéria-prima. Ao transformar o cacau em chocolate, os produtores aumentam o valor agregado, fortalecem a renda local e reduzem a dependência exclusiva do preço pago pela amêndoa in natura.

A Bahia Cacau já alcança mercados em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro. A marca também iniciou sua presença internacional, com envio de produtos para Portugal, abrindo novas possibilidades para o chocolate produzido pela agricultura familiar.

Outro tema que movimenta o setor é a nova Lei nº 15.404/2026, sancionada em maio. A legislação estabelece definições para produtos derivados de cacau, fixa percentuais mínimos do ingrediente e determina que os rótulos informem o percentual total de cacau na composição.

Pela nova regra, o chocolate deverá conter pelo menos 35% de sólidos totais de cacau. Já o chocolate ao leite deverá ter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau. A legislação também define critérios para chocolate branco, achocolatados, coberturas e outros derivados.

As exigências valem para produtos nacionais e importados comercializados no Brasil. O objetivo é dar mais clareza ao consumidor e evitar que produtos com pouco cacau sejam apresentados de forma capaz de gerar confusão nas prateleiras.

Para produtores e fabricantes que apostam em maior teor de cacau, a lei é vista como um avanço. A expectativa é que a rotulagem mais transparente ajude o consumidor a comparar produtos, identificar diferenças de composição e valorizar chocolates com maior presença da matéria-prima.

A mudança também pode beneficiar pequenos fabricantes e marcas artesanais, especialmente aqueles que trabalham com origem controlada, cacau de qualidade e produção de maior valor agregado. Nesse segmento, a identidade do produto e a composição têm peso importante na decisão de compra.

A Abicab informa que representa 92% dos principais fabricantes de chocolates do país, além de 62% do setor de amendoim e 68% das indústrias de balas e gomas. As empresas associadas geram cerca de 450 mil empregos em todo o Brasil.

Com produção em alta, exportações para dezenas de países, inovação nas prateleiras e novas regras de transparência, o chocolate brasileiro atravessa uma fase de transformação. O produto segue associado ao prazer, ao presente e às datas especiais, mas também se consolida como uma cadeia econômica relevante.

O desafio do setor é equilibrar crescimento industrial, remuneração justa aos produtores, qualidade do produto final, sustentabilidade e informação clara ao consumidor. Em um país que planta cacau, fabrica chocolate e amplia o consumo, o Dia Mundial do Chocolate também se torna uma oportunidade para discutir o futuro de uma cadeia que une tradição, tecnologia, agricultura familiar e mercado global.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Abicab#AgriculturaFamiliar#Brasil#Cacau#Chocolate#ChocolateBrasileiro#DiaMundialDoChocolate#Economia#Exportação#IndustriaBrasileira#LeiDoChocolate#Sustentabilidade
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