A possível formação de um novo El Niño nos próximos meses acendeu o alerta no setor agrícola brasileiro. O fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, afetando culturas como trigo, café, soja, milho e frutas.
De acordo com atualização do Centro de Previsão Climática da NOAA, há 82% de chance de El Niño se desenvolver entre maio e julho de 2026 e 96% de probabilidade de persistir durante o inverno do Hemisfério Norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. A previsão também indica possibilidade de um evento de forte intensidade mais adiante, o que aumenta a atenção sobre seus impactos.
No Brasil, os efeitos do El Niño costumam variar conforme a região. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas, o que pode ajudar na recomposição da umidade do solo, mas também dificultar colheitas e comprometer a qualidade de grãos. Já em áreas do Centro-Oeste, a preocupação envolve a distribuição irregular das precipitações, com possibilidade de chuvas intensas em curtos períodos seguidas por intervalos secos e quentes.
As culturas de inverno, como trigo e milho segunda safra, estão entre as primeiras a exigir atenção. O excesso de chuva pode atrapalhar operações no campo, atrasar colheitas e elevar o risco de perdas de qualidade, especialmente quando ocorre em fases sensíveis da produção.
No caso do café, o cenário também preocupa. Um inverno mais quente pode reduzir o risco de geadas tardias, mas temperaturas elevadas e umidade fora do padrão podem provocar floradas irregulares em áreas produtoras do Sudeste, afetando o potencial produtivo da safra seguinte.
Para a soja, o desafio está principalmente no planejamento da safra de verão. Mesmo em regiões onde o volume total de chuva pode ficar acima da média, a má distribuição pode dificultar o calendário de plantio e aumentar o risco de replantio.
A fruticultura também pode sentir os efeitos do fenômeno. No Matopiba, região que inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o calor intenso e a falta de chuva em momentos importantes podem prejudicar o desenvolvimento de algumas frutas. No Sul, culturas de clima temperado podem ser afetadas por um inverno com menos horas de frio, condição importante para qualidade e produtividade dos pomares.
Especialistas recomendam que os produtores acompanhem as atualizações climáticas, revisem calendários de plantio, reforcem o planejamento de irrigação e adotem estratégias de manejo preventivo. A combinação entre El Niño e aquecimento global tende a ampliar a intensidade dos eventos extremos, tornando o monitoramento ainda mais importante para reduzir perdas no campo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
