Wagner Moura defende liberdade de escolha para artistas se posicionarem politicamente

Ator afirma que cada obra tem aspecto político, mas manifestação pública deve ser opcional.

Wagner Moura critica pressão sobre artistas para falarem sobre política e afirma que o aspecto político está presente em toda obra artística, mesmo que não seja intenção inicial.

Imagem: Wikipédia Wagner Moura

O ator Wagner Moura afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que é contrário à pressão exercida sobre artistas para que se manifestem publicamente sobre política. Conhecido por suas posições de esquerda, o artista destacou que essa decisão deve ser pessoal e não imposta.

“Tenho resistência à cobrança para que artistas se posicionem. Ninguém tem que falar, porque, quando fala, tem que segurar o rojão. Não é pra todo mundo”, disse Moura, ressaltando que as reações negativas nas redes sociais podem ser intensas.

Na semana passada, o protagonista de O Agente Secreto participou de um ato em Salvador contra as chamadas PECs da Blindagem e da Anistia. No evento, subiu em um trio elétrico e chegou a cantar ao lado da cantora Daniela Mercury.

Moura contou que já enfrentou críticas por manifestar sua ideologia, mas reforçou que respeita os colegas que preferem não se pronunciar. Para ele, a relação entre arte e política é inevitável, mesmo quando não é a intenção inicial do artista.

“Vamos bulir com alguma coisa dentro de você, transformar, fazer pensar. Isso é política no meu jeito de ver. Todos os meus personagens são eu, as minhas emoções, como vejo as coisas. O que a gente vê na arte não é política. Ela está por trás”, afirmou.

O ator acrescentou que, antes da leitura política, deve vir a identificação com o humano. “Se me ponho vulnerável, se me exponho de forma que a pessoa consegue se ver, começa o jogo. Ela vai ver, a partir desse caminho, os aspectos políticos, tudo que vem depois. Primeiro tem que ter a gente, senão vira uma coisa chata de gente falando de política.”

*Da Agência Fonte Exclusiva

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