O diretor italiano Tinto Brass, responsável por algumas das produções mais discutidas do cinema europeu, morreu nesta quarta-feira (4), aos 93 anos, em Roma. A informação foi divulgada pela agência italiana ANSA, com base em comunicado da família.
A morte foi confirmada pela esposa do cineasta, Caterina Varzi, e pelos filhos Bonifacio e Beatrice Brass. A causa não foi informada. A família anunciou que a despedida será realizada em uma cerimônia privada, sem detalhes sobre o local ou a data do funeral.
Brass ganhou projeção internacional ao dirigir filmes que exploravam a sexualidade, o comportamento humano e os limites da liberdade artística. Sua trajetória também incluiu produções experimentais e trabalhos de vanguarda.
Quem foi Tinto Brass?
Giovanni Brass nasceu em Milão, na Itália, em 26 de março de 1933, e adotou o nome artístico Tinto Brass.
Ao longo da carreira, trabalhou como diretor, roteirista, montador e escritor, desenvolvendo uma linguagem cinematográfica marcada pela atenção à composição visual e à montagem.
Seus primeiros trabalhos estavam ligados ao cinema experimental, com narrativas pouco convencionais e propostas estéticas que se afastavam das produções comerciais da época. Posteriormente, passou a explorar temas relacionados ao desejo e à sexualidade, tornando-se uma referência do cinema erótico europeu.
Calígula foi seu filme mais conhecido
Um dos momentos de maior repercussão internacional ocorreu com Calígula, lançado em 1979.
Inspirado na trajetória do imperador romano, o longa reuniu atores como Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O’Toole e John Gielgud. A produção provocou debates pelas cenas explícitas e pelos conflitos entre o diretor e os responsáveis pelo filme.
Brass contestou modificações realizadas durante a finalização da obra, especialmente alterações na montagem e a inclusão de material que não correspondia à sua proposta original. Apesar das divergências, Calígula permaneceu como um dos títulos mais conhecidos associados ao cineasta.
Outros filmes marcaram sua carreira
Além de Calígula, Tinto Brass dirigiu produções que alcançaram reconhecimento entre admiradores do cinema europeu.
Entre os principais títulos estão:
- Salon Kitty (1976);
- A Chave (1983);
- Miranda (1985);
- Paprika (1991).
Os filmes abordavam relações pessoais, desejo, erotismo e costumes sociais, frequentemente com uma estética visual característica.
Antes de se dedicar principalmente a esse gênero, o diretor também realizou dramas e obras experimentais que demonstravam seu interesse por diferentes formas de linguagem cinematográfica.
Uma trajetória que dividiu opiniões
Ao longo de mais de cinco décadas de atividade, Tinto Brass despertou reações distintas entre críticos e espectadores.
Enquanto parte de sua filmografia recebeu críticas pelo conteúdo sexual, outros aspectos de seu trabalho foram reconhecidos pela experimentação estética e pela maneira como explorava a imagem cinematográfica.
O diretor também se tornou conhecido por defender sua liberdade criativa, inclusive em meio a conflitos com produtores e distribuidores.
Sua morte encerra uma trajetória que atravessou diferentes fases do cinema italiano e deixou obras associadas às discussões sobre erotismo, censura e expressão artística. A família informou que a cerimônia de despedida será reservada.
*Da Agência Fonte Exclusiva
