O cinema brasileiro perdeu nesta terça-feira (9) um de seus principais nomes históricos. Morreu, aos 86 anos, o cineasta, escritor, roteirista, jornalista e gestor cultural Orlando Senna, reconhecido por sua contribuição ao audiovisual brasileiro e latino-americano ao longo de mais de cinco décadas.
Segundo familiares e pessoas próximas, Orlando Senna apresentou um quadro de broncopneumonia nos últimos dias, que evoluiu para uma inflamação pulmonar. Após passar mal no domingo (7), ele foi levado para uma Unidade de Pronto Atendimento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
O cineasta chegou a ser intubado, mas não resistiu apesar das tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica.
A morte provocou manifestações de pesar entre artistas, críticos, cineastas e representantes do setor cultural, que destacaram a importância de sua trajetória para o fortalecimento do cinema brasileiro e para a construção de políticas públicas voltadas ao audiovisual.
Natural de Lençóis, na Bahia, onde nasceu em 25 de abril de 1940, Orlando Senna construiu uma carreira marcada pela atuação em diversas áreas da cultura. Ao longo das décadas, trabalhou como jornalista, escritor, diretor, roteirista, educador e gestor público.
Entre suas obras mais conhecidas está o filme Iracema, Uma Transa Amazônica, codirigido ao lado de Jorge Bodanzky.
A produção recebeu reconhecimento internacional por abordar os impactos sociais e ambientais da ocupação da Amazônia durante o período da ditadura militar brasileira.
Além da produção cinematográfica, Orlando Senna teve papel importante na formulação de políticas culturais no país. Entre 2003 e 2007, ocupou o cargo de secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, período em que participou de iniciativas voltadas à ampliação do acesso a recursos públicos para produções audiovisuais.
O cineasta também integrou a estrutura da Empresa Brasil de Comunicação, participando do processo de implantação da TV Brasil como diretor-geral da empresa.
Outro marco de sua trajetória foi a criação da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, projeto desenvolvido ao lado do cineasta Fernando Birri e do escritor Gabriel García Márquez. A instituição se tornou referência na formação de cineastas latino-americanos.
Nas redes sociais, profissionais do setor cultural lamentaram a morte do cineasta. A jornalista e crítica de cinema Maria do Rosário Caetano publicou uma homenagem destacando a relevância artística e humana de Orlando Senna, lembrando sua atuação como diretor, escritor e gestor cultural.
Pouco mais de um mês antes de sua morte, o cineasta recebeu uma homenagem em vida durante a mostra retrospectiva “Orlando Senna / Cinema, Brasil e América Latina”, realizada na Caixa Cultural Rio de Janeiro entre abril e maio deste ano.
O evento reuniu exibições de filmes, debates, encontros com o público e uma exposição dedicada à sua trajetória.
Segundo a curadora Diana Iliescu, Orlando Senna participou ativamente das atividades da mostra, reencontrando amigos e recebendo homenagens de colegas da cultura brasileira.
Ela também destacou a emoção do encontro entre o cineasta e o ator Antônio Pitanga durante a abertura da retrospectiva.
Diana definiu Orlando Senna como um intelectual multifacetado e um incentivador de novas gerações de artistas e cineastas, ressaltando sua capacidade de reunir talentos em torno da produção cultural e do fortalecimento do cinema brasileiro.
*Da Agência Fonte Exclusiva
