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Com a popularização das modelos geradas por inteligência artificial em campanhas de marcas como a Guess, profissionais da moda alertam para riscos à criatividade, diversidade e empregos no setor.

A modelo da Guess, que não existe na vida real, foi criada pelo Seraphinne Vallora, estúdio especializado em IA baseado na Inglaterra (Divulgação)

Modelos criadas por IA ganham espaço em grandes marcas e levantam alertas na moda

Especialistas do setor destacam o potencial da inteligência artificial para reduzir custos e otimizar processos, mas alertam para o risco de apagamento da identidade artística e perda de empregos

Redação Por Redação
01/08/2025 - 10:30
em Cultura
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A estilista brasileira Karoline Vitto, conhecida por sua atuação em grandes semanas de moda como as de Londres e Milão, tem como base de seu trabalho o respeito à diversidade e à valorização dos corpos reais. Para ela, a diferença entre imagens geradas por IA e as protagonizadas por pessoas está na sinergia criativa, algo essencial para a moda.

A fala de Karoline ecoou após a repercussão de uma campanha da Guess, publicada na edição de agosto da Vogue, com uma modelo inteiramente digital, criada pelo estúdio britânico Seraphinne Vallora. A iniciativa, solicitada pelo cofundador da marca, Paul Marciano, gerou debates intensos no setor.

Valentina Gonzalez, sócia do estúdio, contou que foram criadas dez modelos, entre as quais Marciano escolheu duas — uma morena e uma loira — que foram desenvolvidas até a versão final. Embora reconheça a eficiência da IA em áreas como organização e produção de ensaios fotográficos, Karoline reforça que “nada substitui o momento da troca entre pessoas num set”.

O uso crescente de IA preocupa profissionais do setor, especialmente pelo risco de substituição de talentos como fotógrafos, diretores de arte e modelos. Olivia Merquior, CEO da IARA, aponta que o mercado atual prioriza métricas digitais e redução de custos, em vez de vínculos artísticos. “Antes, as marcas valorizavam colaborações duradouras, como Steven Meisel com a Versace. Hoje, a escolha muitas vezes se baseia apenas em planilhas de custo.”

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Ela alerta que a padronização de campanhas pode empobrecer a estética das marcas. Por outro lado, a IA também oferece ferramentas que revelam padrões e ajudam a romper estereótipos. “Depende de como é usada: para ampliar a criatividade ou para substituir por algo genérico e barato.”

Gigi Casimiro, cofundadora do WeAR Experience, chama atenção para os impactos na representação estética. Segundo ela, a geração de imagens por IA tende a seguir padrões estéticos enviesados, agravando problemas como falta de diversidade e expectativas irreais de beleza.

Essa discussão, no entanto, não é nova. A modelo digital Miquela Sousa já trabalhava com grandes marcas como Prada e Givenchy desde 2020, acumulando milhões de seguidores. Em artigo da Vogue, Sinead Bovell alertava: “Sou modelo e sei que a IA tomará meu lugar.”

O outro lado da história é representado pelas criadoras da Seraphinne Vallora. Sem recursos para contratar modelos, Valentina e sua sócia Andreea Petrescu usaram suas habilidades em design e arquitetura para criar suas próprias modelos. O sucesso foi rápido, e elas passaram a atender grandes veículos como Elle e The Wall Street Journal. Para Gigi Casimiro, esse movimento rompe barreiras de acesso e pode democratizar a produção criativa, mesmo que afete certas profissões.

Lições do caso Guess:

  • Nem todo público aceita campanhas com IA, por isso conhecer o consumidor é essencial.

  • Marcas de luxo devem manter exclusividade e autoralidade como pilares.

  • Diretores criativos devem atuar cada vez mais como curadores.

  • Modelos reais poderão proteger sua imagem por contratos e royalties com plataformas de IA.

  • A convivência entre produção otimizada e criação autoral deve ser equilibrada com pensamento crítico.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da Forbes.

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