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Morre Pierre Cardin, pioneiro do prêt-à-porter

Pierre Cardin, morto aos 98 anos, revolucionou o mundo da alta costura francesa (foto: Getty Images)

Estilista revolucionário, Pierre Cardin morre aos 98 anos

Redação Por Redação
30/12/2020 - 16:25
em Cultura
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O estilista italiano Pierre Cardin morreu aos 98 anos de idade no hospital de Neuilly, nos arredores de Paris. O anúncio foi feito nesta terça-feira (29/12) por sua família, que não divulgou a causa da morte.

Cardin, radicado na França desde 1945, era um dos pioneiro do prêt-à-porter e da democratização da alta costura que levou a moda a grandes lojas a preços acessíveis, nos anos 1950.

Junto com André Courrèges e Paco Rabanne, o italiano comandou uma revolução na alta costura da França no período do pós-guerra e se tornou célebre com uma série de criações futuristas com a marca que levava seu nome.

O estilista nasceu em 2 de julho de 1922 em um vilarejo próximo a Veneza, em uma família de agricultores. Sua família deixou o país o rumo à França, fugindo do fascismo. O jovem Pierre ingressou no mundo da moda em Saint-Étienne aos 14 anos, como assistente de um alfaiate.

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Em 1944, começou a trabalhar no célebre atelier Paquin, em Paris, onde desenhou figurinos e máscaras para o filme A Bela e a Fera, de Jean Cocteau (1946).

Na fase inicial de sua carreira, ainda na primeira metade do século 20, Cardin trabalhou em algumas das mais respeitadas casas de moda, como Schiaparelli e Christian Dior, que acabava de abrir uma loja.

Revolução na indústria da moda
Junto com Dior, Cardin criou o famoso tailleur Bar, que se tornou uma marca da grife e moldou o new look, de cinturas justas e saias volumosas.

Ele criou sua própria marca em 1950, a Pierre Cardin, que contribuiu para revolucionar a indústria da moda na segunda metade do século 20, quando a roupa sob medida deu lugar a produção em cadeia, o chamado prêt-à-porter, mais acessível do que a alta costura.

Seu estilo absorveu diversas influências, desde materiais inovadores, cores e formas geométricas, vestidos justos inspirados em arte pop, casacos em trapézio, e ternos masculinos com colarinho idêntico ao da roupa do líder chinês Mao Tsé-tung.

Cardin organizou desfiles de moda na China, no Japão, nos Estados Unidos e na América Latina. Ele foi mecenas do teatro, da dança e da música, com a criação de festivais de arte no Espaço Cardin, em Paris.

O estilista também se dedicou ao design de móveis, além da hotelaria e restauração, e foi nomeado embaixador honorário da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Ele foi o mentor de vários outros estilistas, como Jean Paul Gaultier, e mantinha ativo no círculo da moda, apadrinhando jovens designers, comparecendo a festas e eventos e visitando com frequência seu escritório em Paris.

“Obrigado sr. Cardin por me abrir as portas da moda e por tornar meu sonho possível”, escreveu Gaultier no Twitter, após a morte de seu antigo mestre.

Nome estampado em produtos inusitados
Ao longo da carreira, ele foi agraciado com três prêmios “Dedal de Ouro”, uma premiação do setor da moda na França até ao início dos anos 1990. Em 2019, o Museu Brooklyn de Nova Iorque realizou a primeira grande retrospectiva de sua obra.

Com o passar dos anos, seu nome passou a estampar produtos inusitados como lâminas de barbear, utensílios domésticos e até cuecas. Seus críticos o acusavam de destruir o valor de sua marca e a noção de luxo, mas ele não se importava.

“O dinheiro é capaz de arruinar as ideias? Eu não sonho com dinheiro, de qualquer modo, mas enquanto estou sonhando, ganho dinheiro. Mas, nada disso foi por causa de dinheiro”, afirmou em 2007 ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

Ele continuou a apresentar novas coleções até aos 94 anos, afirmando que sentia necessidade de se expressar.

Até o fim de sua vida, Cardin manteve o caráter empreendedor e o amor pela moda. Embora muitos classifiquem seu estilo como ultrapassado, suas criações são consideradas atemporais por seus admiradores.

“Tenho um estilo reconhecível, essa é minha assinatura. Não se pode dizer o mesmo de outros”, disse certa vez o estilista.

As informações são da DW.

Tags: #Pierre Cardin
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