Um sistema estelar distante pode estar revelando um fenômeno raro: a formação de um planeta depois que sua estrela já passou pela fase final de evolução.
A hipótese surgiu a partir de observações feitas por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, que analisaram uma anã branca cercada por indícios de material incomum.
O possível planeta foi apelidado de “planeta fênix” porque, caso sua origem seja confirmada, teria surgido a partir dos restos liberados pela própria estrela após sua transformação.
O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.
Metais pesados chamaram atenção
As primeiras pistas apareceram na composição da atmosfera da anã branca.
Os astrônomos identificaram concentrações elevadas de metais como zinco, cobre e nióbio.
O nióbio apresentou níveis particularmente altos, chegando a valores cerca de mil vezes superiores aos encontrados no Sol.
Para os pesquisadores, essa composição é difícil de explicar apenas com a presença de um planeta antigo, formado junto com a estrela original.
A hipótese é de que a anã branca esteja recebendo continuamente material de um objeto que orbita muito próximo.
Planeta pode ter surgido em uma segunda geração
Uma das possibilidades consideradas é que esse mundo tenha se formado depois que a estrela perdeu grande parte de suas camadas externas.
Durante essa fase, enormes quantidades de matéria são lançadas ao espaço.
Parte desse material pode permanecer em órbita e formar um disco ao redor do remanescente estelar.
Com o tempo, partículas presentes nesse disco poderiam se aglomerar e dar origem a um novo planeta.
Se isso realmente aconteceu, o objeto seria parte de uma segunda geração planetária, formada apenas depois do desaparecimento da estrela em sua configuração original.
Estrela companheira pode ter papel importante
Os cientistas acreditam que uma segunda estrela no sistema pode ter ajudado a manter o material necessário para essa formação em órbita.
Sem essa influência gravitacional, grande parte dos restos expelidos poderia simplesmente ter se dispersado pelo espaço.
A presença de uma companheira estelar criaria condições mais favoráveis para concentrar matéria e permitir o surgimento de novos objetos.
TESS detectou variação a cada 4,4 dias
Outra pista veio de observações realizadas pelo satélite TESS, da Nasa.
Os pesquisadores identificaram uma pequena variação periódica no brilho do sistema a cada 4,4 dias.
Esse comportamento é compatível com a possibilidade de existir um planeta gigante orbitando extremamente perto da anã branca.
O objeto poderia ter dimensões próximas às de Júpiter.
Proximidade extrema pode arrancar atmosfera
Caso o planeta exista, sua órbita seria tão próxima que a interação gravitacional provavelmente manteria sempre a mesma face voltada para a estrela.
A intensa radiação emitida pela anã branca também poderia retirar gradualmente parte da atmosfera do planeta.
Esse material seria então atraído pelo campo gravitacional da estrela e acabaria depositado em sua superfície.
O processo oferece uma possível explicação para as altas concentrações de metais pesados detectadas pelos astrônomos.
Hipótese ainda precisa ser confirmada
Os pesquisadores ressaltam que a existência do planeta ainda não foi comprovada.
Outras explicações para as características observadas no sistema continuam sendo consideradas.
Novas observações serão necessárias para determinar se realmente há um planeta em órbita e, principalmente, se ele nasceu depois da transformação da estrela em anã branca.
Descoberta pode mudar visão sobre sistemas planetários
Se a hipótese for confirmada, o sistema poderá fornecer evidências de que planetas não precisam necessariamente nascer apenas na juventude de uma estrela.
Eles também poderiam surgir depois de eventos violentos associados à morte estelar.
Isso ampliaria o conhecimento sobre a evolução de sistemas planetários e levantaria uma nova possibilidade para a astronomia: mundos capazes de se formar a partir dos restos de estrelas que já chegaram ao fim de grande parte de sua vida.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
