O deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa, do PRD do Rio de Janeiro, foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, 18, em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil. A investigação apura suspeitas de ligação de agentes públicos com a facção Terceiro Comando Puro, o TCP.
Além do parlamentar, também aparecem entre os alvos da apuração o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e Michael Jhonny Vianna de Azevedo, apontado como ex-assessor parlamentar e servidor da Rioluz. A ação foi autorizada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Operação apreende dinheiro, armas e celulares
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. As diligências ocorreram na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj, na Ceasa, em outros pontos da capital fluminense e também no Espírito Santo.
Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 341 mil em espécie, cinco armas, munições, 11 celulares, computadores e dispositivos de armazenamento de dados. Segundo as autoridades, o material recolhido será analisado para auxiliar no esclarecimento da possível participação dos investigados.
Suelen Silva dos Reis, suplente de vereador e viúva do ex-vereador Zico Bacana, assassinado em 2023, e Michael Jhonny Vianna de Azevedo foram presos em flagrante. De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, os dois foram detidos por suspeita de porte ilegal de arma. Eles mantêm um relacionamento.
Investigação mira suposta interferência em ação contra o TCP
A investigação aponta que agentes públicos teriam buscado informações junto à Polícia Militar sobre uma operação sigilosa voltada à demolição de imóveis atribuídos ao TCP em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio. A região integra o chamado Complexo de Israel, área associada à atuação da facção.
Entre os imóveis citados na apuração estava uma estrutura atribuída ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como uma das lideranças do TCP. O local, segundo as investigações, teria área de lazer, piscina, academia e lago artificial.
Ainda conforme a apuração, os investigados teriam argumentado que os imóveis eram usados para prestação de serviços sociais. Para o Ministério Público, porém, os elementos reunidos indicam que essa justificativa não correspondia à finalidade real dos espaços. Na ocasião, a ação policial prevista para a demolição acabou sendo adiada.
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, afirmou que os dados contidos nos aparelhos apreendidos serão extraídos e examinados para esclarecer a eventual participação dos investigados. Segundo ele, os fatos apurados preocupam pela possibilidade de aproximação entre o meio político e organizações criminosas.
O que dizem Val Ceasa, Alerj e Prefeitura
Ao chegar à Alerj, Val Ceasa negou envolvimento com irregularidades e afirmou considerar legítimo que agentes públicos sejam investigados. O deputado, no entanto, classificou a operação como perseguição política.
O parlamentar disse trabalhar por comunidades e afirmou acreditar que uma investigação séria demonstrará sua inocência. Ele também declarou que pediu ao prefeito Eduardo Paes a construção de uma vila olímpica em uma área onde teria ocorrido demolição relacionada ao imóvel atribuído a Peixão, com o argumento de que a população local precisava de estrutura e dignidade.
Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro informou que acompanha a operação e que está à disposição para colaborar com as investigações. A Casa também afirmou atuar com transparência e compromisso institucional.
A Prefeitura do Rio declarou que Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Segundo a administração municipal, atos publicados em novembro de 2025 relacionados à nomeação dele foram tornados sem efeito após análise da Secretaria de Integridade.
Sobre Michael Jhonny Vianna de Azevedo, a prefeitura informou que ele ocupava cargo na Companhia Municipal de Energia, a Rioluz, e que a exoneração seria publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 19. Segundo o município, no momento da nomeação, em fevereiro de 2025, não havia sido identificado impedimento pela Secretaria de Integridade.
Até a última atualização, a defesa dos demais envolvidos ainda não havia se manifestado publicamente. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
