Quissamã começou a colocar em prática um projeto aguardado na área ambiental: a implantação da coleta seletiva. O serviço será levado aos bairros de forma gradual e contará com a participação de catadores, que terão apoio da Prefeitura para recolher, separar e encaminhar materiais recicláveis.
O primeiro passo foi formalizado na terça-feira (18), com a assinatura de um Termo de Cooperação entre o município e a Cooperativa de Catadores Cata Sol. O documento foi assinado pelo prefeito Marcelo Batista, na sede administrativa da Prefeitura.
A parceria prevê que a cooperativa possa utilizar um galpão e um caminhão para desenvolver as atividades. A estrutura será usada no recolhimento e na organização dos materiais que podem voltar à cadeia de reciclagem, em vez de serem encaminhados junto com o lixo comum para o aterro sanitário.
A expectativa é que a coleta seletiva avance por etapas. Com isso, novos bairros deverão entrar no roteiro à medida que a operação for estruturada.
Além do impacto ambiental, o projeto também tem uma dimensão social. Os catadores terão participação direta no funcionamento do sistema, o que pode melhorar as condições de trabalho e fortalecer uma atividade que gera renda a partir do reaproveitamento de papel, papelão, plástico, metais e outros recicláveis.
Parceria coloca catadores no centro da coleta
O acordo com a Cata Sol busca organizar justamente essa participação. Durante a assinatura, estiveram presentes representantes da cooperativa, catadores de Quissamã e integrantes do governo municipal.
Participaram do encontro o secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca, Cosme Francisco Chagas; o secretário de Administração, Leandro Machado; o assessor de Meio Ambiente, Luiz Carlos Fonseca; a representante da Cata Sol, Érica Borges; e o representante dos catadores no município, Américo Espírito Santo.
Para o prefeito Marcelo Batista, a nova etapa deve unir a melhoria da limpeza urbana à valorização dos trabalhadores que vivem da reciclagem.
“Estamos iniciando uma nova etapa na gestão dos resíduos em Quissamã. A coleta seletiva vai contribuir para uma cidade mais limpa e sustentável, ao mesmo tempo em que valoriza o trabalho dos catadores”, afirmou.
Segundo o prefeito, a disponibilização do galpão, do caminhão e da estrutura necessária deverá permitir que o serviço cresça e chegue progressivamente a outras áreas da cidade.
Implantação será feita por etapas
A expansão gradual é um dos pontos destacados pela Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Pesca.
De acordo com o secretário Cosme Francisco Chagas, o termo cria as condições para que o projeto deixe a fase de planejamento e passe efetivamente para a operação.
A intenção, segundo ele, é organizar cada etapa antes de ampliar a cobertura, conciliando a participação dos catadores com a necessidade de melhorar a destinação dos resíduos produzidos no município.
Para o assessor de Meio Ambiente, Luiz Carlos Fonseca, o apoio logístico terá papel importante nessa fase inicial.
Com um local adequado para o trabalho e um veículo destinado às atividades da coleta, os catadores terão melhores condições para organizar o material recebido e estruturar a rotina do serviço.
Menos resíduos no aterro
Um dos principais objetivos da coleta seletiva é diminuir a quantidade de resíduos que segue para o aterro sanitário.
Quando materiais recicláveis são separados ainda na origem, itens como papel, plástico, vidro e metais podem ser direcionados para triagem e reaproveitamento. Além de prolongar a vida útil dos sistemas de disposição final, a prática permite que materiais que seriam descartados voltem à cadeia produtiva.
A participação dos moradores será decisiva para que o projeto funcione. A separação correta dentro das casas, com os recicláveis mantidos separados do lixo orgânico e de rejeitos, é uma das etapas mais importantes de qualquer sistema de coleta seletiva.
Estrutura reforça trabalho da cooperativa
Para Érica Borges, representante da Cata Sol, o acordo abre uma nova fase para os catadores que participarão da iniciativa em Quissamã.
“Ter um galpão e um caminhão vai nos dar melhores condições para desenvolver o trabalho e contribuir para que a coleta seletiva aconteça de forma organizada no município”, afirmou.
Com a assinatura do termo, Quissamã inicia agora o desafio de transformar o projeto em uma rotina nos bairros. A ampliação do serviço dependerá tanto da estrutura operacional quanto da adesão da população à separação dos resíduos.
A proposta reúne três frentes que caminham juntas: reduzir o descarte no aterro, aumentar o reaproveitamento de materiais e dar mais estrutura aos trabalhadores responsáveis por uma parte importante da cadeia da reciclagem.
*Da Agência Fonte Exclusiva
