Uma carta endereçada à família de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, passou a fazer parte da investigação sobre os cinco dias em que a jovem ficou desaparecida antes de ser encontrada em uma casa em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
O documento, escrito à mão e assinado com o nome de Emiliane, foi encontrado com o ex-companheiro dela, Ailton Rodrigues de Souza, segundo a Polícia Militar.
Em um dos trechos, a mensagem dizia: “Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”. A carta também fazia referência a bens da jovem e orientava a família a não procurar a polícia.
Para os investigadores, porém, há suspeita de que a assinatura tenha sido obtida sob pressão. O major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), afirmou que uma avaliação inicial indica que Emiliane pode ter sido obrigada a assinar o documento.

Segundo ele, a carta estava no bolso de Ailton quando o suspeito foi abordado.
A polícia agora tenta esclarecer quem produziu o texto, quando ele foi escrito e em quais circunstâncias Emiliane colocou seu nome no documento.
Jovem estava desaparecida havia cinco dias
Emiliane desapareceu na segunda-feira (17). Conforme a Polícia Militar, familiares procuraram as autoridades depois que perderam contato com a jovem.
Uma câmera de segurança registrou Emiliane deixando uma clínica no bairro Jardim Barragem I. A imagem foi um dos últimos registros conhecidos dela antes do desaparecimento.
Durante as investigações, o ex-companheiro também passou a ser procurado. Segundo a Polícia Civil, ele deixou de ser visto no mesmo período, fechou o estabelecimento comercial que mantinha, saiu da residência onde vivia e abandonou veículos. A corporação também informou ter identificado um histórico anterior de violência doméstica.
A motivação do crime ainda está sendo investigada.
Abordagem levou policiais até o cativeiro
Na sexta-feira (21), policiais da CPE localizaram Ailton dirigindo um carro. Segundo a PM, ele teria desobedecido a uma ordem de parada e fugido, sendo abordado posteriormente no Setor Jardim Querência.
As diligências realizadas a partir da abordagem levaram os militares a uma casa no Setor Jardim América III. Segundo a polícia, o imóvel havia sido alugado pelo suspeito poucos dias antes.
A residência estava fechada. Ao se aproximarem, os policiais disseram ter ouvido ruídos no interior do imóvel e decidiram entrar.
Em um dos quartos, encontraram Emiliane presa por cordas, algemas e corrente. A jovem estava amordaçada e tinha braços, pernas e pescoço imobilizados. De acordo com a PM, ela também apresentava dificuldade para respirar por causa de uma máscara colocada sobre o rosto.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para ajudar na retirada das correntes. Emiliane foi levada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás, recebeu atendimento e posteriormente teve alta. Ela já está em casa.
Polícia diz que suspeito confessou ter dopado a ex
Segundo a Polícia Civil, Ailton confessou ter dopado Emiliane com medicamentos antidepressivos antes de levá-la para o imóvel onde ela foi encontrada. A informação passa a integrar o conjunto de elementos analisados no inquérito.
No local, a polícia também apreendeu uma arma de fogo, algemas, correntes, cordas e sedativos.
Ailton foi preso em flagrante. No sábado (22), a Justiça de Goiás converteu a prisão em preventiva após audiência de custódia. A decisão considerou a gravidade dos fatos investigados e a situação em que a jovem foi encontrada.
Segundo as informações policiais divulgadas até agora, ele foi inicialmente autuado por sequestro e porte ilegal de arma de fogo. O inquérito continua e poderá definir o enquadramento de outros crimes.
Emiliane relata agressões durante o cárcere
Depois de deixar o hospital, Emiliane publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo às pessoas que participaram das buscas e falando sobre o que afirma ter sofrido durante os cinco dias em que ficou privada de liberdade.
A jovem relatou agressões graves e disse ter sofrido queimaduras provocadas pelo uso de uma substância corrosiva. A polícia também apura relatos de violência sexual feitos por ela após o resgate.
As declarações da vítima deverão ser confrontadas com exames, perícias, depoimentos e os materiais recolhidos no imóvel.
Emiliane afirmou ainda que o relacionamento havia terminado em dezembro de 2025 e disse que o ex-companheiro não aceitava a separação.
Carta é uma das peças da investigação
Além das circunstâncias do sequestro e das agressões relatadas, a Polícia Civil deverá aprofundar a investigação sobre a carta encontrada com Ailton.
O documento falava sobre carro, imóvel e outros bens registrados em nome de Emiliane. Também havia uma orientação para que a família não acionasse a polícia, além da frase que chamou atenção pelo tom de despedida.
Para os investigadores, esclarecer como essa carta foi produzida poderá ajudar a reconstruir o que aconteceu entre o desaparecimento de Emiliane, na segunda-feira, e o resgate realizado quatro dias depois.
Até a atualização das reportagens consultadas neste domingo (23), o caso permanecia sob investigação da Polícia Civil de Goiás.
*Da Agência Fonte Exclusiva
