A Ilha da Queimada Grande, conhecida popularmente como Ilha das Cobras, voltou ao noticiário após o naufrágio da lancha Jany, no último sábado (24), com três pessoas a bordo. Localizada a cerca de 25 km da costa de Itanhaém (SP), a região é considerada uma das mais misteriosas e restritas do país.
O acidente resultou no resgate de dois corpos — um deles de uma mulher de 56 anos — enquanto a terceira vítima segue desaparecida.
O local é habitat da jararaca-ilhoa, espécie de serpente única no mundo, isolada do continente há cerca de 11 mil anos. Sem presas terrestres disponíveis, a espécie precisou se adaptar e passou a viver em árvores, alimentando-se principalmente de aves migratórias.
Por ser rara e de grande interesse no mercado ilegal, a jararaca-ilhoa é alvo constante de traficantes de animais, o que a levou a ser classificada como criticamente ameaçada de extinção pela IUCN e pelo ICMBio.
O acesso à ilha é extremamente restrito e só pode ser feito por pesquisadores autorizados, mediante aprovação de projetos junto ao ICMBio. Além disso, é obrigatório o uso de roupas especiais e equipamentos de manejo, como ganchos e tubos de contenção, devido à alta densidade de serpentes.
A Queimada Grande funciona ainda como um laboratório natural para estudos científicos de evolução, conservação e ecossistemas. Instituições como o Instituto Butantan desenvolvem pesquisas no local, fundamentais para a preservação da biodiversidade e para a produção de antídotos contra venenos de cobras.
Da Agência Fonte Exclusiva.
