O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça um grupo acusado de integrar uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro. Entre os denunciados estão o traficante Marcinho VP, sua esposa Márcia Gama Nepomuceno, o rapper Oruam e outros integrantes ligados ao esquema.
A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, que detalha a atuação do grupo no chamado “branqueamento” de recursos ilícitos. Segundo o Ministério Público, mesmo preso há mais de duas décadas, Marcinho VP ainda exerce influência significativa dentro da facção Comando Vermelho, coordenando estratégias e movimentações financeiras.
De acordo com as investigações, a gestão financeira do grupo estaria sob responsabilidade de Márcia Nepomuceno, apontada como peça central no recebimento e redistribuição de valores provenientes do tráfico. A denúncia afirma que ela recebia quantias em espécie de outros integrantes da facção e utilizava empresas, imóveis e propriedades rurais para ocultar o patrimônio.
Entre os nomes citados nas investigações estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, o Pezão, todos apontados como operadores relevantes dentro da estrutura criminosa.
O rapper Oruam, segundo o Ministério Público, seria beneficiário direto dos recursos ilícitos. A acusação sustenta que o artista teria utilizado sua carreira musical como meio para dissimular a origem do dinheiro, além de receber valores para despesas pessoais, viagens e investimentos.
A estrutura da organização, conforme descrito na denúncia, foi dividida em quatro núcleos principais. O primeiro é o de liderança encarcerada, exercido por Marcinho VP, responsável por decisões estratégicas e controle financeiro. O segundo é o núcleo familiar, composto por Márcia Nepomuceno, Oruam e outros parentes, encarregado da intermediação das ordens e da gestão de ativos.
Há ainda o núcleo de suporte operacional, formado por indivíduos que atuariam como intermediários e “testas de ferro” para ocultação patrimonial, além do núcleo de liderança operacional, composto por traficantes atuantes nas comunidades, responsáveis pela execução do tráfico e repasse de valores à estrutura central.
A operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro realizada na quarta-feira (29) cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra os denunciados. A ação faz parte de um conjunto de investigações que buscam desarticular o fluxo financeiro de organizações criminosas no estado.
O caso segue agora para análise da Justiça, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e eventuais medidas cautelares contra os acusados.
*Da Agência Fonte Exclusiva
