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Ex-aluna do Mackenzie é processada após acusar professora de racismo

Redação Por Redação
08/10/2021 - 02:13
em Cidades
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Michelle Eusébio de Carvalho, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Mackenzie, volta a se sentir ameaçada pela professora que há dois anos reprovou seu trabalho de conclusão de curso (TCC) que abordava o tema abordou ‘A Psicologia não reconhece os impactos do racismo?’.

Duas semanas atrás, a ex-estudante, que iniciou sua carreira na psicologia social, recebeu uma intimação de abertura de um processo por parte da professora, que alega ter sido acusada injustamente de racismo e pede danos morais.

Em 2019, a estudante de psicologia foi reprovada sob a justificativa de que seu desenvolvimento durante o processo do trabalho de conclusão de curso não foi satisfatório.

Inconformada, a aluna procurou o coordenador do curso de psicologia e fez uma reclamação por perseguição e racismo institucional, já que sua orientadora não quis aceitar seu tema de TCC.

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“Eu não a conhecia quando soube que ela iria me orientar. E logo quando apresentei o projeto, a orientadora disse que não tinha entendido direito. E perguntou se eu estava querendo dizer que a linha da psicologia do Mackenzie não reconhece os impactos do racismo”, relata Michelle.

Para não precisar refazer o trabalho e conseguir apresentá-lo ainda em 2019, Michelle abriu um requerimento administrativo na universidade. Agora, no processo contra a ex-aluna, a docente Mariana Aron justifica que todo esse episódio afetou sua saúde e se tornou um trauma.

“De forma alguma ela pensou que isso poderia prejudicar o meu trabalho. Eu também adoeci, tive reações psicossomáticas, alergia, queda de cabelo”, afirma a psicóloga, que continua: “não pude atuar na minha profissão durante muito tempo. Ela não entende o quanto a reprovação me prejudicou nesse sentido, sou de uma família grande e pobre, que também foi afetada por conta do racismo”, reitera Michelle.

Segundo ela, houve pressão psicológica em sua relação com a docente que, em momento algum disse que o trabalho não era elegível de aprovação:

“todas as correções que foram pedidas, eu fiz. E, quando chegou a data de entrega do projeto, não tive retorno, minha nota não foi para o sistema. Cobrei e ela não respondeu, só depois que acabou o prazo de entrega, ela marcou uma reunião comigo”, conta. No encontro, a psicóloga recebeu a notícia de que seu trabalho seria reprovado pela orientadora.

Prejuízos

Michelle se sentiu injustiçada e, a partir disso, publicou em suas redes sociais relatos do que havia sofrido. Na época, a professora chegou a se posicionar nas redes sociais e para a Alma Preta Jornalismo, considerando “gravíssimas” as acusações da ex-aluna.

“Contudo, eu fiquei ainda um ano aguardando, desde a colação de grau da minha turma até que meu trabalho fosse avaliado e apresentado para a banca de TCC, por conta do processo na corregedoria do Mackenzie que estava em tramitação, para julgar se havia racismo ou não”, afirma Michelle.

A audiência foi julgada pelo corpo jurídico da faculdade: “eu e a minha advogada éramos as únicas pessoas negras e o restante das pessoas eram homens brancos e velhos”, lembra.

A vítima apresentou várias provas e teve testemunhas, que alegaram que houve racismo ao longo dos meses de orientação e também presenciaram as atitudes da docente. Segundo ela, as provas e depoimentos não foram considerados pela ausência de algo “mais grave”. “Preferiam julgar uma acusação de injúria racial”, pontua.

As informações são da Alma Preta Jornalismo.

Tags: #Professores#Racismo
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