A Agência Federal de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA), vinculada ao governo Donald Trump, enviou uma carta ao governo do Rio de Janeiro lamentando a morte dos quatro policiais que participaram da operação realizada nos complexos do Alemão e da Penha na semana passada. A ação, considerada pelas autoridades fluminenses como uma ofensiva contra o avanço do Comando Vermelho, foi a mais letal já registrada no Brasil, deixando 121 mortos.
O documento, remetido na terça-feira (4) e assinado por James Sparks, diretor da DEA, foi destinado ao secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos. Na carta, o governo norte-americano elogia a atuação dos agentes brasileiros e se coloca à disposição para oferecer “qualquer apoio necessário” no enfrentamento ao crime organizado.
“Sabemos que a missão de proteger a sociedade exige coragem, dedicação e sacrifício. Reconhecemos o valor e a honra dos profissionais que deram suas vidas em defesa da segurança pública”, diz um trecho da mensagem enviada pela agência. Outro trecho afirma: “Reiteramos nosso respeito e admiração pelo trabalho incansável das forças de segurança do Estado e colocamo-nos à disposição para qualquer apoio que se faça necessário.”
Em nota divulgada nesta quarta-feira (5), o secretário Victor Santos informou que a manifestação dos Estados Unidos não autoriza qualquer tipo de operação norte-americana em território brasileiro. Segundo ele, a referência da DEA diz respeito à “troca de informações com instituições de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos, já que se trata de crime com ramificações internacionais”.
A comunicação acontece em um momento em que tanto o governo do Rio quanto autoridades norte-americanas têm utilizado o termo “narcoterroristas” para se referir a facções criminosas envolvidas no tráfico de drogas. Em coletiva realizada no dia 28 de outubro, o governador Cláudio Castro classificou a operação do Alemão e Penha como uma ação contra “narcoterroristas”.
O termo também foi empregado recentemente pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ao comentar ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico atribuídos a grupos envolvidos no tráfico internacional. Nas últimas semanas, Argentina e Paraguai — governados por aliados de Trump — passaram a classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
