Curso de bordado capacita cerca de 100 mulheres e abre caminhos para geração de renda em Quissamã

Oficina reuniu participantes do Cadastro Único, incluindo quilombolas, pescadoras e moradoras da zona rural, com foco em qualificação, economia criativa e autonomia financeira.

Cerca de 100 mulheres concluíram curso de bordado em Quissamã com foco em qualificação, economia criativa, geração de renda e autonomia financeira.

📸Reprodução

Cerca de 100 mulheres de Quissamã encerraram neste sábado (22) uma experiência que foi além de aprender novos pontos, trabalhar com pedrarias ou customizar peças de roupa. A conclusão da oficina “A Arte de Bordar pelo Brasil – Bordando Novos Amanhãs” também marcou, para muitas participantes, a possibilidade de transformar uma habilidade manual em fonte de renda.

A cerimônia de encerramento aconteceu no auditório da sede da Prefeitura e contou com uma exposição dos trabalhos produzidos durante as aulas. Peças bordadas, aplicações de pedrarias e trabalhos de customização mostraram parte do que as alunas desenvolveram durante as 40 horas de formação.

As atividades foram realizadas no CRAS de Caxias e atenderam mulheres inscritas no Cadastro Único. Entre as participantes estavam quilombolas, pescadoras e moradoras da zona rural, públicos que muitas vezes encontram mais dificuldades de acesso a cursos de capacitação e oportunidades de trabalho.

A proposta da oficina foi justamente aproximar esse grupo de uma atividade que pode continuar dentro de casa, virar complemento de renda ou até dar origem a pequenos negócios ligados ao artesanato e à moda.

O curso teve apoio da Prefeitura de Quissamã, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Acessuas Trabalho. A realização contou com incentivo da Lei Rouanet, por meio do Ministério da Cultura, coordenação geral de Fernanda Nadal, patrocínio da TAG e produção executiva da Amora.

A iniciativa faz parte do projeto A Arte de Bordar pelo Brasil, criado para oferecer formação em bordado em pedrarias e ampliar as possibilidades de geração de renda de mulheres. O projeto é desenvolvido por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A cerimônia reuniu o prefeito Marcelo Batista, a primeira-dama e secretária municipal de Assistência Social, Valquíria Barcelos, a subsecretária da pasta, Rosane Barros, a coordenadora do Acessuas Trabalho, Roberta Linhares, além de integrantes do governo municipal e familiares das participantes.

Durante o encerramento, Marcelo Batista destacou que iniciativas desse tipo podem ter efeito prático na vida das famílias. Segundo o prefeito, a qualificação permite que talentos já existentes sejam aperfeiçoados e usados para criar novas oportunidades de trabalho e renda.

Para a secretária municipal de Assistência Social, Valquíria Barcelos, o resultado também pode ser percebido na confiança adquirida pelas participantes ao longo das aulas. Ela afirmou que a política de assistência social não deve ficar restrita ao atendimento de demandas imediatas, mas também ajudar as pessoas a desenvolver habilidades capazes de ampliar sua autonomia.

Aprendizado que pode virar renda

À frente das atividades, a artista plástica e designer Fernanda Nadal acompanhou de perto o desenvolvimento das alunas. Além da parte técnica, a formação buscou estimular criatividade, confiança e uma visão mais profissional sobre o trabalho artesanal.

Fernanda avalia que ensinar bordado e customização é apenas uma parte do processo. A ideia, segundo ela, é fazer com que as mulheres percebam que o conhecimento adquirido também pode ser aplicado comercialmente e se transformar em oportunidade.

Esse é justamente um dos focos do projeto A Arte de Bordar pelo Brasil, criado em 2019. A iniciativa mantém ainda uma plataforma voltada à divulgação do trabalho de mulheres que passaram pelas formações e desejam continuar atuando com bordado em pedrarias.

Entre linha, agulha e novos planos

Para quem participou da oficina, o encerramento deixou a sensação de que o curso pode ser apenas o começo.

Andressa Peidade contou que, além de aprender novas técnicas, teve a oportunidade de conhecer outras mulheres e enxergar possibilidades que antes não considerava.

“Percebi que aquilo que fazemos com as nossas próprias mãos pode abrir novos caminhos”, afirmou a participante. Ela disse deixar o curso mais confiante e interessada em continuar praticando o que aprendeu.

A exposição apresentada durante a formatura mostrou justamente esse resultado: trabalhos diferentes entre si, produzidos a partir das técnicas ensinadas e da criatividade de cada participante.

Mais do que uma mostra de encerramento, as peças passaram a representar possibilidades concretas para mulheres que agora podem levar o bordado para além da sala de aula — seja como atividade artesanal, complemento da renda familiar ou início de um pequeno negócio.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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