O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou nesta quarta-feira (29) que o Estado enfrenta uma verdadeira guerra contra o crime organizado e que as forças de segurança não conseguirão vencer sozinhas. A declaração foi feita durante coletiva no Palácio Guanabara, um dia após a maior operação policial da história do Rio, que resultou oficialmente em 119 mortos, entre eles quatro policiais, e 113 prisões.
Castro se reuniu com a cúpula de segurança e com governadores de outros estados por videoconferência para discutir os desdobramentos da operação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte. Durante o encontro, o governador destacou que o crime organizado tem se estruturado como um “Estado paralelo”, com poder financeiro e bélico crescentes.
“Nós temos condições totais de vencer batalhas, mas sozinhos não temos condições de vencer essa guerra. Todo aquele que quiser vir para somar — seja governador, ministro ou qualquer autoridade — é bem-vindo. Quem quiser fazer politicagem, nosso recado é claro: suma. Ou soma ou suma”, declarou.
Castro afirmou ainda que a ação foi planejada para evitar confrontos em áreas habitadas. “O conflito ocorreu em área de mata, e não em locais edificados. Não acredito que houvesse civis passeando por lá durante a operação. Se houver erro de classificação, será residual e corrigido assim que possível”, explicou.
Durante coletiva na Cidade da Polícia, o governo confirmou os números oficiais da megaoperação: 119 mortos (115 suspeitos e quatro policiais), 118 armas apreendidas — incluindo 91 fuzis —, além de 14 artefatos explosivos e grande quantidade de drogas.
Castro também expressou solidariedade às famílias dos agentes mortos. “De vítimas, só tivemos os policiais. Rogo a Deus pelas vidas deles e pelo conforto de suas famílias. Determinei que o Estado garanta amparo total”, disse.
A operação, que mobilizou mais de 2.500 agentes civis e militares, faz parte de uma estratégia de longo prazo para enfraquecer o tráfico em regiões dominadas por facções. Ainda assim, o governador admitiu que o desafio só será superado com a união de esforços em nível nacional.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
