O bordado deixou de ser apenas uma atividade artesanal para se tornar uma possibilidade concreta de renda para cerca de 100 mulheres de Quissamã, no Norte Fluminense. Reunidas em uma oficina de capacitação, as participantes aprenderam novas técnicas e descobriram caminhos para vender as próprias peças, inclusive pelas redes sociais.
O projeto foi retratado em uma reportagem do Portal VIU, que mostrou o impacto da iniciativa na vida de mulheres em diferentes situações sociais. Para muitas delas, o curso representou não apenas uma qualificação, mas também a oportunidade de recuperar a confiança e começar uma nova atividade profissional.
Batizada de “A Arte de Bordar pelo Brasil – Bordando Novos Amanhãs”, a oficina teve carga horária de 40 horas. Durante as aulas, realizadas no CRAS de Caxias, as participantes aprenderam bordado, aplicação de pedrarias e customização de roupas.
O público foi formado por mulheres inscritas no Cadastro Único, entre elas pescadoras, quilombolas e moradoras da zona rural. A iniciativa também alcançou mulheres que enfrentaram violência doméstica e vivem sob medidas protetivas.
Do trabalho manual ao mercado
Além de ensinar a produzir e personalizar peças, o curso incentivou as participantes a enxergar o artesanato como uma atividade econômica.
As alunas receberam orientações para organizar a produção, divulgar os trabalhos, criar uma identidade própria e buscar consumidores por meio das plataformas digitais. A proposta é que o conhecimento adquirido possa se transformar em renda complementar ou até na criação de pequenos negócios.
Esse passo é importante porque muitas artesãs produzem peças de qualidade, mas encontram dificuldades para calcular preços, divulgar o trabalho e chegar ao público. As redes sociais podem reduzir essa distância e funcionar como uma vitrine acessível para quem está começando.
Uma política de inclusão produtiva
A oficina foi realizada com apoio da Prefeitura de Quissamã, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Acessuas Trabalho. O projeto contou com incentivo da Lei Rouanet e teve coordenação da artista plástica e designer Fernanda Nadal.
A atuação do Acessuas Trabalho aproximou as participantes de oportunidades de qualificação e inclusão produtiva. O programa atende pessoas acompanhadas pela rede de assistência social e busca ampliar o acesso ao trabalho e à geração de renda.
De acordo com a Prefeitura de Quissamã, o encerramento da oficina foi marcado por uma exposição das peças produzidas durante as aulas. Os trabalhos mostraram o desenvolvimento das técnicas e a identidade construída por cada participante.
Mais do que peças artesanais
O resultado do curso vai além das roupas customizadas e dos bordados apresentados na exposição. A convivência, a troca de experiências e o reconhecimento do próprio talento também fizeram parte do processo.
Para mulheres que dependem da assistência social ou enfrentam situações de vulnerabilidade, a possibilidade de ter uma renda própria pode representar maior liberdade para tomar decisões e reorganizar a vida.
A iniciativa mostra como políticas sociais podem avançar além do atendimento emergencial. Quando assistência, capacitação e acesso ao mercado caminham juntos, o apoio público pode se transformar em oportunidade real de independência.
A reportagem em vídeo produzida pelo Portal VIU apresenta o trabalho das participantes e mostra como o bordado passou a ocupar um novo espaço na vida dessas mulheres.
*Da Agência Fonte Exclusiva.