O artesanato produzido em Campos dos Goytacazes vem deixando de ser apenas uma manifestação cultural para também se consolidar como uma alternativa de trabalho e geração de renda. Com iniciativas voltadas à economia solidária, profissionais do setor passam a contar com novas possibilidades de capacitação, divulgação e acesso a mercados.
As ações são desenvolvidas pela Gerência de Economia Solidária, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação. A proposta é aproximar artesãos e outros trabalhadores da economia criativa de oportunidades que possam ajudar na expansão dos negócios.
Cerâmica virou profissão
A trajetória da ceramista e educadora social Euzi de Sousa Licasalio mostra como o artesanato pode transformar vidas e se tornar uma atividade profissional.
Ela teve o primeiro contato com a cerâmica em 2002, quando participou de um programa social voltado à qualificação profissional e ao fortalecimento da autoestima de mulheres que estavam afastadas do mercado de trabalho.
Depois da experiência inicial, Euzi entrou para o projeto de Arte Cerâmica da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). No local, recebeu formação, atuou como bolsista, professora e também como voluntária.
A partir dessa experiência, passou a contribuir para a formação de novos profissionais e para a divulgação da cerâmica artística em Campos.
“Começar a desenvolver esse trabalho em Campos não foi fácil. Tivemos muitos obstáculos, muitos empecilhos que desanimavam. Muitas colegas que começaram comigo desistiram porque não tiveram força para dar continuidade. Mas eu sempre mantive a esperança e a expectativa de que as coisas iam melhorar”, relembra.
Trabalho ganhou reconhecimento
Com o passar dos anos, a atividade deixou de ser apenas uma experiência e se transformou na profissão de Euzi. Ela criou o próprio ateliê e passou a participar de eventos e iniciativas voltadas ao artesanato e à cultura.
Entre os reconhecimentos recebidos está o primeiro lugar na Lei Aldir Blanc, na categoria Artesanato e Cultura.
A ceramista também levou seu trabalho para eventos e espaços especializados em diferentes cidades. Entre eles estão a Feira Nacional de Artesanato, em Belo Horizonte, a loja colaborativa FAERJ e a loja Bem Brasil Regional, no Rio de Janeiro, além do Espaço Cultural Alexandre Rosalino, também na capital mineira.
Para Euzi, o contato entre artesãos, instituições e poder público pode fazer diferença na hora de encontrar novos caminhos para comercializar e divulgar os produtos.
Ela destaca as parcerias com a Prefeitura de Campos e o Sebrae como exemplos de iniciativas que ajudam os profissionais a alcançar públicos fora do município.
“Eles entenderam que o artesão precisa do apoio do poder público para alavancar. E eu acredito que, para atrair turistas para nossa cidade, a gente tem que fazer com que o pessoal de fora conheça o que nós temos de melhor. Temos que ir a eles. Creio nessa estratégia, e está dando certo”, afirma.
Prefeitura cria carteira para trabalhadores
A Prefeitura de Campos também ampliou as ações destinadas ao setor. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, dar maior visibilidade aos artesãos é uma das estratégias para estimular o empreendedorismo cultural.
A intenção é aproximar os profissionais de redes de comercialização e divulgação em âmbito regional e nacional.
“O governo Frederico Paes compreende a relevância deste segmento, que tem um enorme potencial de gerar emprego e renda no nosso município”, afirma o secretário.
Uma das novas iniciativas é a Carteira Municipal da Economia Solidária, criada pelo prefeito Frederico Paes por meio do Decreto nº 302, publicado no Diário Oficial em 25 de agosto.
O documento pretende facilitar o acesso dos trabalhadores a ações e benefícios oferecidos ou apoiados pelo município.
Cinco categorias fazem parte da iniciativa
A carteira poderá garantir aos profissionais acesso a descontos em estabelecimentos parceiros, além de participação em feiras, exposições, eventos e espaços de comercialização apoiados pela Prefeitura.
Também estão previstos programas de capacitação, assistência técnica e fomento, assim como a participação em editais, chamamentos públicos e outras ações específicas.
O documento contempla cinco áreas:
- artesanato;
- gastronomia artesanal;
- agricultura familiar e agroecologia;
- pesca artesanal;
- catadores e sustentabilidade.
A primeira entrega das carteiras está prevista para esta segunda-feira (28).
Sistema vai reunir informações sobre o setor
Outra iniciativa criada pelo município é o Sistema Municipal de Informações da Economia Solidária (Simesol).
A plataforma deverá reunir dados sobre trabalhadores e empreendimentos ligados à economia solidária em Campos. A ideia é identificar as atividades existentes no município e produzir informações que possam orientar a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas.
O sistema também poderá auxiliar ações de capacitação, assistência técnica, incubação, comercialização e fomento, além de permitir um levantamento territorial das iniciativas ligadas ao setor.
Para o gerente de Economia Solidária, Pedro Barcelos, as medidas ampliam a compreensão sobre o papel desempenhado pelos artesãos na economia local.
“As novas medidas reforçam uma visão que vai além da valorização cultural do artesanato. Ao reconhecer esses profissionais como agentes de geração de trabalho, renda e desenvolvimento, Campos amplia as possibilidades de inserção dos pequenos produtores nos mercados regional e nacional e fortalece uma economia criativa que nasce dos talentos e da identidade do próprio município”, observa.
A experiência de Euzi e as novas ações voltadas à economia solidária mostram como a produção artesanal pode reunir cultura, identidade e atividade econômica. Em Campos, o fortalecimento do setor busca criar novas oportunidades para artesãos e pequenos produtores, ao mesmo tempo em que preserva conhecimentos e tradições construídos no município.
*Da Agência Fonte Exclusiva
