As equipes de resgate intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas por sobreviventes das enchentes que atingiram a região do Himalaia, na fronteira entre Nepal e China. O desastre já deixou pelo menos 919 mortos e cerca de 4,8 mil pessoas desaparecidas, segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades.
A tragédia começou após o colapso de uma geleira nas montanhas do Himalaia. A enorme massa de gelo, rochas e terra atingiu rios da região e provocou uma enxurrada que destruiu vilarejos, pontes, estradas e instalações de geração de energia. Mais de 90 mil pessoas teriam sido afetadas.
Um dos pontos mais delicados das operações está nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Cerca de 933 trabalhadores de projetos hidrelétricos estão desaparecidos, e centenas podem estar presos dentro de túneis bloqueados pela lama e pelos escombros.
Militares, policiais e especialistas utilizam escavadeiras e até explosões controladas para tentar abrir passagem até os túneis. Equipes da China e da Índia também participam dos trabalhos especializados de salvamento.
As operações chegaram a ser interrompidas temporariamente depois que um novo lago se formou com o acúmulo de detritos próximo à área do colapso. O temor era de que a barreira natural cedesse e provocasse outra inundação. As buscas foram retomadas depois que o risco foi considerado administrável, mas a região continua sendo monitorada.
Além da lama e das estradas destruídas, os socorristas enfrentam áreas praticamente inacessíveis, instabilidade nas encostas e o risco de novos deslizamentos. Na China, parte das operações ocorre na região de Gyirong, no Tibete, próximo à fronteira nepalesa.
O número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as equipes consigam alcançar comunidades isoladas e os túneis das hidrelétricas. Entre os desaparecidos também estão centenas de estrangeiros que estavam na região, bastante procurada por turistas, peregrinos e praticantes de trekking.