A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar contratos milionários da organização social Prima Qualitá, responsável por gerenciar serviços de saúde em várias cidades do Rio de Janeiro. Apenas em Arraial do Cabo, os pagamentos somam mais de R$ 500 milhões.
Entre 2022 e 2024, a Prima Qualitá firmou contratos com prefeituras de Duque de Caxias, São Gonçalo, Arraial do Cabo, Saquarema, Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena, Cordeiro e Quissamã. As prefeituras, entretanto, não são alvo da operação.
A Prefeitura de São Gonçalo afirmou que seus contratos “seguem as determinações legais vigentes, com lisura e transparência” e que as contas receberam pareceres favoráveis do TCE. As demais prefeituras foram procuradas, mas não responderam até a publicação da reportagem.
A Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que R$ 1,6 bilhão já foi pago em contratos firmados entre prefeituras e a Prima Qualitá Saúde, sendo R$ 91 milhões provenientes de recursos federais.
Segundo a Polícia Federal, a investigação começou na delegacia de Macaé a partir de suspeitas de desvios de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) enviados às prefeituras.
“Foi possível verificar que valores que seriam, em tese, destinados à saúde foram aplicados em consultorias e serviços jurídicos de pessoas ligadas aos dirigentes da OS”, afirmou o delegado Adriano Espindula Soares, chefe da PF em Macaé.

Auditorias do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), assinadas em abril deste ano pela conselheira Mariana Willeman, apontaram irregularidades na contratação de empresas recém-criadas. Um CNPJ de consultoria foi constituído em 6 de junho de 2019 e contratado pela OS no dia 10 de junho. O mesmo ocorreu com um escritório de advocacia, contratado dois meses após a criação do CNPJ. Em ambos os casos, os sócios das empresas faziam parte do conselho de administração da organização social.
*Da Agência Fonte Exclusiva.