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PF investiga suspeita de esquema de fraudes em licenciamentos ambientais em Búzios

Operação Occulta Manus cumpriu oito mandados em quatro cidades da Região dos Lagos e apura possível favorecimento de interesses privados dentro da administração pública.

redacao Por redacao
13/08/2026 - 14:01
em Canal VIU
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A Polícia Federal deflagrou a Operação Occulta Manus para investigar um possível esquema de favorecimento ilegal, corrupção e fraudes envolvendo procedimentos de licenciamento ambiental em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

A ação foi realizada nesta quarta-feira, 12 de agosto, em conjunto com o Ministério Público Federal e a 1ª Promotoria de Justiça de Armação dos Búzios. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em quatro municípios: Armação dos Búzios, Cabo Frio, Araruama e Saquarema. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, o foco da investigação está na suspeita de que agentes públicos teriam utilizado as funções exercidas na administração municipal para favorecer interesses particulares, inclusive por meio da concessão irregular de licenças e autorizações ambientais.

A apuração também procura esclarecer se empreendimentos considerados potencialmente poluidores teriam recebido facilidades para instalação ou funcionamento sem todas as autorizações exigidas pelos órgãos responsáveis.

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Investigação alcança estrutura de licenciamento ambiental

Uma das principais linhas investigativas envolve a atuação de servidores ligados à área ambiental do município e a possível utilização de conhecimento técnico, informações administrativas e da própria estrutura pública para beneficiar interesses privados.

De acordo com a apuração divulgada pela imprensa, entre os alvos estão Roseli de Almeida Pereira, ligada à Secretaria Municipal do Ambiente e Urbanismo, e Evanildo Nascimento, secretário municipal do Clima e Sustentabilidade.

Os investigadores buscam compreender de que maneira decisões relacionadas ao licenciamento ambiental eram tomadas e se procedimentos administrativos teriam sido influenciados ou direcionados em favor de determinados interessados.

A Polícia Federal informou oficialmente que os elementos já reunidos indicam, em tese, a atuação de agentes públicos em benefício de particulares mediante concessões irregulares de licenças e autorizações ambientais.

Consultorias ligadas a familiares também entram na apuração

Outra frente da investigação envolve empresas de consultoria que, segundo informações apuradas pelo g1 e reproduzidas por outros veículos, teriam sido registradas em nome de familiares de agentes públicos investigados.

A suspeita é de que essas estruturas empresariais fossem utilizadas para orientar interessados em processos ambientais e que conhecimentos obtidos a partir da atuação dentro do poder público pudessem beneficiar clientes dessas consultorias. Essa parte da apuração ainda está sendo investigada e não representa conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.

As investigações também procuram verificar se havia alguma relação entre os serviços oferecidos pelas empresas e procedimentos submetidos à própria administração municipal.

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o possível esquema teria começado em 2019, período em que Roseli passou a atuar na coordenação de licenciamento ambiental e Evanildo comandava a pasta responsável pela área.

Possíveis crimes investigados

A Polícia Federal informou que as condutas apuradas podem, em tese, configurar crimes de corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa, associação criminosa, prevaricação e concessão irregular de licenças e autorizações ambientais.

A operação, entretanto, representa uma etapa investigativa. O cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa condenação dos envolvidos.

O objetivo das diligências é reunir novos elementos que permitam esclarecer como funcionavam os procedimentos investigados, identificar eventuais beneficiários e determinar a participação de cada pessoa citada na apuração.

Material apreendido passa por análise

O material recolhido durante o cumprimento das ordens judiciais deverá auxiliar os investigadores no aprofundamento das apurações. A análise busca estabelecer eventuais conexões entre agentes públicos, particulares e processos de licenciamento ambiental sob investigação.

A Polícia Federal também pretende verificar a existência de outros envolvidos, de novos procedimentos possivelmente irregulares e de benefícios concedidos indevidamente a particulares.

A apuração deverá confrontar informações administrativas, relações empresariais e elementos obtidos nas diligências para determinar se houve efetivamente uso indevido da função pública para interferir em decisões ambientais.

Operação alcançou quatro cidades

Embora o centro da investigação esteja em Armação dos Búzios, as diligências da Operação Occulta Manus se estenderam por outros municípios da Região dos Lagos.

Dos oito mandados cumpridos, quatro foram direcionados a endereços em Búzios, dois a Cabo Frio, um a Araruama e outro a Saquarema, segundo informações divulgadas sobre a operação.

A extensão territorial da ação é um dos elementos que agora serão aprofundados pelos investigadores para verificar as conexões entre os diferentes alvos e possíveis interesses privados relacionados aos procedimentos ambientais.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que as apurações prosseguem com o objetivo de dimensionar a eventual atuação do grupo, identificar outros possíveis envolvidos e verificar a existência de novas fraudes ou irregularidades em processos de licenciamento ambiental.

Também será investigado se particulares receberam benefícios indevidos e se decisões administrativas relacionadas à proteção ambiental foram influenciadas por interesses externos à finalidade pública.

Até a conclusão das investigações e eventual julgamento, as pessoas citadas devem ser consideradas investigadas, sem atribuição definitiva de responsabilidade pelos crimes apurados.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Tags: #Araruama#Buzios#CaboFrio#corrupcao#FraudeAmbiental#Justica#LicenciamentoAmbiental#MeioAmbiente#OperaçãoOccultaManus#PF#PoliciaFederal#RegiãoDosLagos#RioDeJaneiro#Saquarema
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