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Mulher é resgatada após 49 anos em trabalho análogo à escravidão em SP

Trabalhadora doméstica de 62 anos vivia desde a infância na casa da mesma família, sem descanso regular, sem autonomia financeira e em profundo isolamento social

redacao Por redacao
17/06/2026 - 07:10
em Canal VIU
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Uma trabalhadora doméstica de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após passar 49 anos em condições análogas à escravidão. A operação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, depois de denúncias registradas no Sistema Ipê, plataforma usada para receber relatos de trabalho escravo contemporâneo.

De acordo com a fiscalização, a mulher começou a trabalhar para a mesma família quando tinha apenas 12 anos. Ainda na infância, foi retirada da escola e permaneceu analfabeta. Desde 1977, exercia atividades domésticas diariamente, sem folgas semanais, férias ou qualquer período regular de descanso.

A rotina da trabalhadora era integralmente voltada ao atendimento das demandas da família empregadora. Segundo os auditores-fiscais, ela não tinha vida social própria, mantinha contato extremamente limitado com parentes e não constituiu família ao longo de quase cinco décadas.

A fiscalização apontou que, embora a trabalhadora tenha tido carteira assinada por determinado período e recebido valores a título de salário, ela não possuía autonomia sobre os próprios rendimentos. Após se aposentar, em 2015, deixou de receber qualquer pagamento, mas continuou trabalhando de forma ininterrupta.

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Nos últimos anos, a situação se agravou. A mulher passou a cuidar integralmente da empregadora, idosa e acamada, permanecendo à disposição durante o dia e a noite. Esse regime de disponibilidade permanente teria provocado privação de sono e comprometimento da saúde física e mental da trabalhadora.

O caso também revelou sinais de controle psicológico. Segundo a inspeção, a vítima acreditava que, caso deixasse a residência, a empregadora poderia morrer. Para os auditores, esse sentimento contribuiu para mantê-la presa à situação de exploração por décadas.

Mesmo em eventos familiares da empregadora, a trabalhadora não se sentava à mesa para as refeições e permanecia a serviço. Nas raras visitas a parentes, era acompanhada pela empregadora e ficava por períodos curtos.

Após a constatação das irregularidades, a Inspeção do Trabalho determinou o afastamento imediato da trabalhadora do local. Também foi elaborada uma planilha de cálculos rescisórios no valor de R$ 1.756.545,16, incluindo verbas salariais, férias, 13º salário e indenização por dano moral individual, fixada em R$ 500 mil.

Para o Ministério do Trabalho e Emprego, o caso evidencia uma forma contemporânea de servidão doméstica, marcada não apenas pela violação de direitos trabalhistas, mas também pela supressão da autonomia, do descanso, da convivência familiar e da vida pessoal da trabalhadora.

A situação reacende o debate sobre o trabalho escravo doméstico no Brasil, prática muitas vezes invisível por acontecer dentro de residências e ser mascarada por relações de suposto acolhimento familiar. Especialistas alertam que expressões como “agregada”, “menina para ajudar em casa” ou “moradora que trabalha” podem esconder situações de exploração, especialmente quando envolvem crianças, adolescentes, ausência de salário, isolamento e dependência total do empregador.

Denúncias de trabalho análogo ao de escravo podem ser feitas de forma remota, anônima e sigilosa pelo Sistema Ipê, no endereço ipe.sit.trabalho.gov.br, ou pelo Canal de Denúncias da Inspeção do Trabalho, no site do Ministério do Trabalho e Emprego. O denunciante deve informar o maior número possível de detalhes sobre o local, o empregador, a rotina de trabalho e as possíveis vítimas. Não é necessário ir a uma agência do trabalho para denunciar.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

Tags: #BragançaPaulista#Brasil#DireitosHumanos#MinistérioDoTrabalho#MPT#Notícias#SãoPaulo#SistemaIpê#TrabalhoDoméstico#TrabalhoEscravo
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