Macaé registra segundo feminicídio em nove dias e violência contra a mulher volta ao centro do debate

Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, foi morta após ser atacada a facadas nas Malvinas; dias antes, Tuani Maia Nascimento também foi assassinada na cidade

Macaé, no Norte Fluminense, voltou a ser marcada por um caso de feminicídio em um intervalo de apenas nove dias. Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, morreu após ser atacada a facadas na segunda-feira, 10 de agosto, na comunidade das Malvinas. O caso está sob investigação da 123ª Delegacia de Polícia.

Segundo as informações divulgadas pelas forças de segurança, Karollen foi ferida com aproximadamente seis golpes de faca. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Público de Macaé (HPM), mas não resistiu. O ex-companheiro da vítima foi identificado como o principal suspeito.

Após o crime, equipes do 32º Batalhão de Polícia Militar realizaram buscas na região para tentar localizar o investigado. Até as atualizações públicas localizadas nesta quarta-feira (12), referentes às informações divulgadas em 11 de agosto, ele ainda não havia sido encontrado.

A dinâmica do ataque ainda é objeto de apuração. As informações iniciais indicam que o crime teria ocorrido em um contexto relacionado ao fim do relacionamento. Familiares estavam na residência e, segundo informações repassadas à imprensa, uma irmã de Karollen tentou impedir as agressões e também ficou ferida.

Crianças da família também estavam no imóvel no momento da ocorrência. Karollen era mãe de cinco filhos, informação confirmada posteriormente em reportagens sobre o caso e também mencionada pela Câmara Municipal de Macaé.

A Polícia Militar foi acionada após a vítima dar entrada no HPM com ferimentos provocados por arma branca. A ocorrência foi encaminhada à 123ª DP, responsável pelas investigações.

Segundo feminicídio em nove dias

A morte de Karollen ocorreu apenas nove dias depois de outro feminicídio que provocou forte repercussão em Macaé.

Na manhã de 1º de agosto, Tuani Maia Nascimento, de 33 anos, foi morta a facadas quando chegava ao trabalho, em um estabelecimento comercial na região do Alto dos Cajueiros, em Macaé. O ex-companheiro foi apontado como autor do ataque.

De acordo com a Polícia Civil, Tuani já havia procurado a 123ª DP para denunciar episódios de ameaça e violência psicológica. A vítima possuía uma medida protetiva de urgência em vigor contra o ex-companheiro no momento do crime.

Depois de atacar Tuani, o homem tentou tirar a própria vida. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Público de Macaé, onde permaneceu internado sob custódia policial.

A investigação trabalha com a hipótese de que o feminicídio tenha sido motivado pela não aceitação do término do relacionamento. A faca utilizada no ataque foi apreendida para perícia, e testemunhas e imagens de câmeras de segurança passaram a integrar a apuração.

Casos apresentam ponto em comum

Os assassinatos de Tuani e Karollen ocorreram em circunstâncias diferentes, mas apresentam um aspecto que passou a chamar a atenção das autoridades locais: em ambos os casos, o fim do relacionamento aparece no contexto dos crimes.

Durante sessão realizada na terça-feira (11), vereadoras de Macaé destacaram que os antigos parceiros das vítimas não aceitavam o encerramento das relações. A Câmara informou ainda que Tuani tinha medida protetiva, enquanto Karollen não estava contemplada por esse mecanismo de proteção.

A sequência de casos ampliou o debate na cidade sobre a efetividade dos instrumentos destinados a proteger mulheres ameaçadas por atuais ou antigos companheiros.

Câmara debate novas medidas de proteção

Após os dois feminicídios, a Câmara Municipal de Macaé aprovou a realização de uma audiência pública para discutir medidas de enfrentamento à misoginia e à violência contra a mulher. O encontro está previsto para 27 de agosto, às 18h, na sede do Legislativo.

Entre as propostas debatidas pelos vereadores estão mecanismos para ampliar o monitoramento do cumprimento de medidas protetivas e formas de alertar mulheres quando agressores se aproximarem além da distância determinada judicialmente.

A Prefeitura também pretende discutir a ampliação do monitoramento de agressores, incluindo alternativas relacionadas ao uso de tornozeleiras eletrônicas e sistemas capazes de emitir alertas em situações de aproximação das vítimas.

Os debates ocorrem durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Investigações continuam

No caso de Karollen, a 123ª DP continua responsável pela apuração das circunstâncias do crime. Até a atualização pública mais recente localizada, o principal suspeito permanecia procurado pelas forças de segurança.

A investigação deverá reunir depoimentos, informações periciais e outros elementos para reconstruir a dinâmica do ataque e estabelecer as responsabilidades criminais.

Já o assassinato de Tuani tornou-se um dos casos citados pelas autoridades municipais no debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de acompanhamento das medidas protetivas. A vítima tinha denunciado ameaças e violência psicológica antes de ser morta.

Os dois feminicídios, separados por apenas nove dias, voltam a expor um dos principais desafios no enfrentamento à violência contra a mulher: impedir que ameaças, perseguições e agressões relacionadas ao rompimento de relacionamentos evoluam para crimes fatais.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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