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Esvaziamento da Lagoa Feia provoca seca, morte de gado e alerta ambiental no Norte Fluminense

Denúncias apontam desperdício de água doce e impactos diretos na pecuária, agricultura e abastecimento regional.

Redação Por Redação
28/01/2026 - 15:22
em Canal VIU
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A Lagoa Feia, localizada em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, vive um processo acelerado de esvaziamento que tem causado impactos diretos na Baixada Campista, região estratégica para a agricultura, a pecuária e o abastecimento hídrico de municípios como Quissamã e Carapebus. Considerada um dos maiores mananciais de água doce do Brasil, a lagoa enfrenta uma crise provocada pelo manejo inadequado de suas comportas, especialmente em períodos de escassez de chuvas.

De acordo com denúncias de produtores rurais e moradores da região, o sistema de controle da lagoa vem operando com abertura frequente das comportas mesmo quando não há volume suficiente de chuva nas áreas de recarga. Com isso, o nível da água diminui drasticamente, comprometendo a fauna, a produção agropecuária e o equilíbrio ambiental.

O manejo da Lagoa Feia é feito por um Comitê de Bacias, formado por representantes de diferentes entidades. Entre eles está a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Um dos representantes indicados ao comitê também atua como produtor rural, o que levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse na tomada de decisões relacionadas à liberação de água.

Os efeitos do esvaziamento já são visíveis. Em propriedades rurais próximas à lagoa, animais têm morrido de sede ou atolados na lama ao tentar acessar os últimos pontos de água disponíveis. As cenas contrastam com imagens aéreas da região, que ainda mostram um grande espelho d’água, mas escondem a degradação observada em terra.

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Segundo relatos, a redução proposital do nível da lagoa favorece a ocupação de áreas antes alagadas, que passam a ser utilizadas como pasto ou para o plantio de culturas como a cana-de-açúcar. Especialistas e produtores apontam que a fiscalização deveria ser exercida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável legal pela gestão e preservação dos recursos hídricos, mas denunciam omissão do órgão.

A Lagoa Feia escoa suas águas pelo Canal das Flechas, que liga o sistema ao mar, na região de Barra do Furado. A abertura das comportas resulta no despejo de grandes volumes de água doce diretamente no oceano, caracterizando desperdício em um momento em que o mundo enfrenta alertas sucessivos sobre a escassez hídrica global. O canal, inclusive, apresenta trechos assoreados, agravando os impactos ambientais e operacionais.

Outro ponto de preocupação é a presença do Aquífero Emborê, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do estado do Rio de Janeiro, localizado na mesma região. Enquanto moradores são impedidos de perfurar poços artesianos em áreas atendidas por concessionárias de água, o Complexo Industrial do Porto do Açu opera com cerca de 40 poços profundos para abastecimento próprio, explorando diretamente o aquífero.

Em Campos dos Goytacazes, a população enfrenta uma das tarifas de água mais caras do país, além de interrupções recorrentes no fornecimento, inclusive em episódios de contaminação do Rio Paraíba do Sul e de seus afluentes. Mesmo diante desse cenário, alternativas como poços artesianos são proibidas para residências, aumentando a sensação de desigualdade no acesso aos recursos hídricos.

Enquanto organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, alertam para uma crise global da água e países investem em soluções como dessalinização e tecnologias de reaproveitamento, a Lagoa Feia segue perdendo volume, biodiversidade e função social. A morte de animais e o impacto direto sobre a economia rural escancaram uma realidade que já não é futura, mas presente no Norte Fluminense.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Agricultura#AlertaClimatico#CriseDaAgua#LagoaFeia#MeioAmbiente#NorteFluminense#Pecuária#RecursosHídricos#SegurancaHidrica
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