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Bets crescem na Copa e atingem um terço dos brasileiros

Estudo com dados do Open Finance mostra avanço das apostas online durante os jogos do Mundial.

redacao Por redacao
03/07/2026 - 18:31
em Canal VIU
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As apostas online ganharam força durante a Copa do Mundo e acenderam um novo alerta sobre os impactos das bets no orçamento das famílias e na saúde mental dos brasileiros. Um levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance, mostra que a parcela de brasileiros que enviou dinheiro para plataformas de apostas durante o Mundial triplicou em relação ao mês anterior.

Segundo o estudo, em maio, 11% dos brasileiros analisados haviam transferido recursos para bets. Com o início da Copa do Mundo, esse percentual saltou para 34,8%, o que representa quase um terço da população observada na amostra. O levantamento acompanha dados anonimizados e agregados de cerca de 1,2 milhão de pessoas que autorizaram o compartilhamento de informações financeiras pelo Open Finance, sistema regulado pelo Banco Central.

O avanço das apostas também aparece no volume de dinheiro movimentado. Dados do Placar Klavi indicaram que, até o fim de junho, brasileiros já haviam enviado mais de R$ 507 milhões para casas de apostas durante a Copa. O valor médio diário depositado por usuário, que antes do torneio girava em torno de R$ 188, passou a ficar acima dessa média durante a competição.

A explosão das bets no período do Mundial está diretamente ligada à presença massiva de publicidade nas transmissões esportivas, nas redes sociais e em canais digitais. Narradores, apresentadores, influenciadores e plataformas de streaming passaram a associar a emoção dos jogos à possibilidade de apostar em tempo real, criando um ambiente de estímulo constante ao consumo desse tipo de serviço.

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Especialistas em saúde mental alertam que esse modelo de publicidade pode atingir especialmente pessoas vulneráveis ao jogo compulsivo. O problema, segundo profissionais da área, é que a dependência em apostas nem sempre é percebida no início. Muitas pessoas começam apostando pequenos valores, ganham em algum momento e depois passam a tentar recuperar perdas, entrando em um ciclo de risco financeiro e emocional.

Relatos de apostadores mostram que a perda de controle pode gerar endividamento, conflitos familiares, ansiedade, depressão e isolamento. Em alguns casos, a pessoa só procura ajuda quando já perdeu grandes quantias ou comprometeu sua renda mensal. Por isso, especialistas defendem que o tema seja tratado como questão de saúde pública, com campanhas de prevenção e regras mais duras para a publicidade.

O governo federal lançou uma plataforma centralizada de autoexclusão para apostas. A ferramenta permite que o cidadão bloqueie voluntariamente o próprio acesso a plataformas autorizadas, impeça novos cadastros com seu CPF e deixe de receber publicidade direcionada de casas de apostas. O acesso exige conta Gov.br de nível prata ou ouro.

Segundo a Rádio Senado, a plataforma já somava mais de 570 mil cadastros até maio de 2026. O sistema permite o bloqueio voluntário em todas as bets regularizadas no país e foi criado em meio ao crescimento das preocupações com ludopatia, transtorno associado ao vício em jogos de azar.

A preocupação também envolve a diferença entre bets autorizadas e plataformas ilegais. O levantamento da Klavi considera apenas movimentações identificadas em casas regularizadas, o que significa que o tamanho real do mercado pode ser ainda maior quando se consideram sites não autorizados ou operações fora do ambiente regulado.

Com a Copa do Mundo ainda em andamento, a tendência é que o debate sobre publicidade, proteção ao consumidor e saúde mental ganhe ainda mais força. Para especialistas, o desafio é equilibrar a regulamentação do setor com medidas capazes de proteger usuários vulneráveis, especialmente em períodos de grande apelo emocional, como grandes competições esportivas.

A popularização das bets transformou as transmissões esportivas em uma vitrine permanente para o mercado de apostas. Mas, diante do crescimento acelerado de usuários e valores movimentados, o país passa a discutir até que ponto a aposta deixou de ser apenas entretenimento e passou a representar um risco social.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #ApostasOnline#Bets#Brasil#CopaDoMundo#PublicidadeDeBets#SaúdeMental#VícioEmApostas
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