Ausência de pré-natal aumenta risco de anomalias congênitas em até 100 vezes, alerta Fiocruz

Estudo mostra que falta de acompanhamento na gestação eleva significativamente chances de cardiopatias e má-formações; fatores como escolaridade, raça e idade materna também influenciam.

Pesquisa da Fiocruz revela que ausência de pré-natal aumenta em até 100 vezes o risco de anomalias congênitas em bebês. Cardiopatias, má-formações e microcefalia são mais frequentes em mães com baixa escolaridade, idade avançada e sem acesso ao acompanhamento médico.

Imagem: ilustrativa/canvas

A ausência de pré-natal pode aumentar em até 100 vezes a chance de bebês nascerem com anomalias congênitas graves, como defeitos no tubo neural — estrutura embrionária que dá origem ao cérebro — e malformações cardíacas. O alerta vem de uma nova pesquisa da Fiocruz, que associa a falta de acompanhamento durante a gestação a um risco elevado de complicações para mães e recém-nascidos.

O estudo identificou que mães sem nenhuma consulta pré-natal têm 48% mais chances de ter filhos com cardiopatias congênitas — principal causa de morte por anomalias em recém-nascidos. Além disso, fatores como raça, idade avançada, baixa escolaridade e gestações múltiplas agravam o cenário.

“A mãe que não teve acompanhamento desde o início da gravidez corre um risco infinitamente maior. A cardiopatia congênita é a que mais mata bebês com anomalias, e ela pode ser diagnosticada e tratada ainda na gestação, se houver pré-natal adequado”, explica a pesquisadora Qeren Hapuk, da Fiocruz Bahia.

A experiência de Lívia Sales, dona de casa, reforça a importância do cuidado pré-natal. Durante os exames, ela descobriu que sua filha teria um tipo raro e grave de nanismo. “Se eu não tivesse feito os exames, nunca saberia. Seria uma surpresa e um risco grande para mim e para ela”, contou.

A pesquisa também apontou que:

Para especialistas, a solução passa por políticas públicas mais efetivas e acessíveis, como programas de saúde materna. “A gestação não é doença, mas precisa de acompanhamento constante. O pré-natal é essencial para detectar riscos e garantir tempo hábil de intervenção”, afirma Gabrielle Mendonça, da Rede Alyne, iniciativa federal que busca reduzir a mortalidade materna e infantil no país.

A pesquisa da Fiocruz reforça a urgência de ampliar o acesso ao pré-natal no Brasil, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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