A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o alerta de médicos e especialistas sobre o uso de anabolizantes e insulina com finalidade estética ou para ganho de massa muscular. O jovem, que ficou conhecido nas redes sociais por compartilhar a rotina de treinos e competições, foi encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo. Segundo a Agência Brasil, o caso chamou atenção para os riscos cardiovasculares associados ao uso de substâncias hormonais sem indicação médica adequada.
De acordo com o texto-base do Direto da Redação, Gabriel Ganley admitiu em vídeo publicado anteriormente que havia começado a usar insulina dentro de um processo que chamou de “harmonização”, com o objetivo de se tornar mais competitivo no fisiculturismo. O material também cita que o laudo preliminar apontou morte súbita cardíaca causada por cardiomiopatia hipertrófica, condição marcada pelo espessamento do músculo do coração.
A cardiomiopatia hipertrófica pode dificultar o bombeamento do sangue e favorecer alterações no ritmo cardíaco. Em pessoas que usam esteroides anabolizantes, o risco preocupa ainda mais porque essas substâncias não atuam apenas sobre músculos aparentes, como braços, pernas e tórax. Elas também podem afetar a musculatura cardíaca, aumentando o risco de complicações graves.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que anabolizantes podem levar à hipertrofia cardíaca, problema que compromete o funcionamento do coração e pode estar associado a morte súbita. O alerta ganhou força após a repercussão da morte de Ganley.
O uso de insulina por pessoas que não têm indicação médica também representa risco imediato. A insulina reduz a glicose no sangue e, quando usada de forma inadequada, pode provocar hipoglicemia grave. Entre os sintomas possíveis estão confusão mental, perda de consciência, convulsões e morte. O alerta é especialmente importante porque a substância tem sido usada de forma irregular por praticantes de musculação que buscam acelerar o ganho de massa muscular.
Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para finalidade estética, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo, tanto para atletas amadores quanto profissionais. A justificativa do CFM é a falta de comprovação científica suficiente de benefício e segurança para essas finalidades.
A Anvisa também endureceu as regras contra o uso irregular de hormônios. Em 2024, a agência atualizou normas sobre implantes hormonais e proibiu a manipulação, comercialização e uso de implantes à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos, esportivos ou de ganho de massa muscular.
O caso de Gabriel Ganley expõe uma preocupação crescente: a busca pelo chamado “corpo perfeito” tem levado jovens e adultos a recorrerem a substâncias de alto risco, muitas vezes sem acompanhamento médico e sob influência de promessas rápidas feitas em academias ou nas redes sociais.
Médicos reforçam que o ganho de massa muscular deve ocorrer com treinamento adequado, alimentação orientada, acompanhamento profissional e avaliação clínica. O uso de hormônios fora das indicações médicas pode causar hipertensão, arritmias, lesões no fígado, lesões nos rins, alterações comportamentais, aumento do risco de AVC e complicações cardiovasculares.
A discussão também serve de alerta para famílias, academias, treinadores e influenciadores digitais. O incentivo ao uso de substâncias sem respaldo médico pode colocar vidas em risco. A morte de um jovem com grande visibilidade nas redes sociais reforça a necessidade de informação, fiscalização e responsabilidade no ambiente esportivo e digital.
*Da Agência Fonte Exclusiva